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Lula bate de frente com EUA e diz: “Pix não muda”

Por Jornal do Interior03 de abril de 2026
Lula bate de frente com EUA e diz: “Pix não muda”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2) que o governo brasileiro não pretende alterar o funcionamento do Pix, após críticas feitas pelos Estados Unidos ao sistema de pagamentos instantâneos. A declaração ocorreu durante agenda oficial em Salvador, na Bahia, onde o petista participou de entregas do Novo PAC na área de mobilidade urbana. Ao comentar o relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA, Lula foi enfático ao defender a autonomia brasileira sobre o modelo. Segundo ele, o Pix tem cumprido um papel essencial no país e não sofrerá mudanças por pressão externa. “O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar, pelo serviço que ele está prestando à sociedade”, disse. Apesar do tom firme, o presidente admitiu que o sistema pode passar por aperfeiçoamentos. A ideia, segundo Lula, é ampliar o alcance e adaptar a ferramenta às demandas da população. “O que podemos fazer é aprimorar, para que atenda cada vez melhor às necessidades das pessoas”, acrescentou. Críticas dos EUA e reação brasileira O posicionamento do governo brasileiro ocorre após a divulgação de um relatório anual do governo dos Estados Unidos que aponta preocupações de empresas norte-americanas com o funcionamento do Pix. No documento, há a avaliação de que o Banco Central do Brasil, responsável pelo sistema, poderia estar favorecendo a plataforma em detrimento de outros meios de pagamento. Entre os pontos levantados, está o fato de o Banco Central criar, operar e regular o Pix, além de exigir a adesão de instituições financeiras com mais de 500 mil contas. Para empresas estrangeiras, isso poderia gerar desvantagem competitiva para serviços privados de pagamentos digitais. As críticas não são inéditas. Ainda no ano passado, o governo liderado por Donald Trump abriu uma investigação interna sobre práticas comerciais consideradas potencialmente desleais por parte do Brasil. Entre os alvos estava o Pix. Um dos argumentos levantados por empresas americanas envolve a suspensão do serviço WhatsApp Pay em 2020, pouco antes do lançamento oficial do Pix. O aplicativo pertence à Meta, comandada por Mark Zuckerberg. Defesa do modelo brasileiro Na ocasião, o governo brasileiro respondeu às críticas afirmando que o Pix foi criado com foco na segurança, eficiência e inclusão financeira, sem discriminação a empresas estrangeiras. A gestão do sistema pelo Banco Central, segundo a defesa, garante neutralidade e estabilidade ao ambiente de pagamentos. O argumento também destaca que iniciativas semelhantes vêm sendo estudadas ou implementadas por outros bancos centrais ao redor do mundo, incluindo o Federal Reserve, autoridade monetária dos Estados Unidos. Criado oficialmente em novembro de 2020, o Pix rapidamente se consolidou como o principal meio de transferências no Brasil, impulsionado pela gratuidade para pessoas físicas e pela rapidez nas transações, disponíveis 24 horas por dia. O embate em torno do sistema evidencia não apenas divergências técnicas, mas também disputas comerciais e tecnológicas em um cenário global cada vez mais digitalizado.
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