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Conselho de Segurança adia decisão sobre uso da força no Estreito de Ormuz e expõe divisão entre potências

Votação no Conselho de Segurança da ONU sobre uso da força no Estreito de Ormuz é adiada após divisão entre potências como China, Rússia e França. Enquanto isso, os Estados Unidos apoiam a medida.

Por Jornal do Interior04 de abril de 2026
Conselho de Segurança adia decisão sobre uso da força no Estreito de Ormuz e expõe divisão entre potências
Votação de uma resolução que pode autorizar o uso da força para proteger a navegação no estratégico Estreito de Ormuz foi adiada pelo Conselho de Segurança da ONU. A deliberação, inicialmente prevista para sexta-feira (3) e posteriormente reagendada para este sábado (4), ficou para a próxima semana após impasses entre os países-membros. O texto em discussão prevê que nações possam empregar “todos os meios defensivos necessários” para garantir a segurança de embarcações comerciais na região — um dos pontos mais sensíveis da atual escalada de tensões no Oriente Médio. Caso seja aprovado, será o primeiro respaldo formal da Organização das Nações Unidas ao uso da força nesse conflito. A proposta, no entanto, enfrenta resistência significativa. A China já declarou oposição à autorização, mesmo mantendo uma posição oficialmente neutra na guerra. Pequim tem relações estratégicas com o Irã, de quem é o principal comprador de petróleo, e costuma adotar uma postura pragmática em relação ao país. Outros membros permanentes com poder de veto também demonstraram contrariedade. França e Rússia sinalizaram que podem barrar a resolução, aprofundando o impasse diplomático. Na tentativa de construir um consenso mínimo, negociadores optaram por adiar a votação. A presidência rotativa do conselho está atualmente com o Bahrein, país do Golfo que vem sendo diretamente afetado pela escalada do conflito. O chanceler Abdullatif bin Rashid Al Zayani apelou por unidade entre os membros, pedindo uma “posição unificada” diante da crise. Enquanto isso, os Estados Unidos e aliados da região já indicaram voto favorável ao texto. Nos bastidores diplomáticos, cresce também a avaliação de que Washington tem adotado uma postura cada vez mais autônoma no conflito, frequentemente ignorando recomendações e apelos por moderação feitos por instâncias da própria ONU. Antes mesmo de qualquer definição, o governo iraniano reagiu com críticas duras. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que uma eventual autorização será vista como provocação e poderá agravar ainda mais o cenário. “O apoio a medidas desse tipo, inclusive dentro do Conselho de Segurança, só aumentará a complexidade da situação”, declarou. Localizado ao longo da costa iraniana, o Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. Aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás consumidos globalmente passam pelo corredor, que conecta grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Catar. Nos últimos dias, a região se transformou em um dos principais focos da guerra envolvendo forças dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Teerã, que controla grande parte do estreito, tem intensificado ações militares, incluindo ataques a embarcações e a instalação de minas navais. A instabilidade já provoca impactos diretos no mercado internacional. O preço do barril de petróleo disparou e chegou a US$ 109 na quinta-feira (2), refletindo o temor de interrupções no fluxo energético global. Com a votação adiada, o impasse no Conselho de Segurança prolonga a incerteza sobre uma eventual resposta coordenada da comunidade internacional diante de um dos pontos mais críticos da geopolítica mundial.
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