por Eli Mário Magalhães
Há encontros que não cabem no relógio. Eu sinto isso toda vez que me reúno com Márcio e Nenoi Pinto, Elionaldo Magalhães, Severino Lopes, Severino Lúcio, Demuriez Leão, José Carlos Barbosa, Marcelino Alexandre, Gilson Belo e Ibn Pinto. É como se o tempo deixasse de contar e a gente passasse a viver no ritmo da memória — um lugar onde os anos não pesam e as histórias continuam ali, prontas pra reaparecer ao redor de uma boa mesa.
Foi assim no Restaurante Parrilla, em Arapiraca. Quando cheguei, parecia só mais um encontro entre amigos. Mas bastou o primeiro cumprimento mais demorado, o abraço apertado e aquele olhar que diz tudo sem precisar de palavra, pra eu perceber que não era só isso. Não éramos apenas pessoas reunidas — éramos pedaços de histórias que estavam se encontrando de novo.
No começo, a conversa veio devagar, quase como quem pisa com cuidado. Mas não demorou. Uma lembrança puxou outra, e mais outra, e de repente já não dava pra segurar. As histórias começaram a sair, uma em cima da outra, como se nunca tivessem ficado tanto tempo guardadas. E eu ali, no meio de tudo, rindo alto, interrompendo, sendo interrompido, tentando contar melhor um detalhe que, na cabeça de outro, aconteceu diferente.

E talvez tenha sido mesmo.Teve piada que só a gente entende. Coisa que, se alguém de fora ouvisse, não faria sentido nenhum. Mas pra nós fazia — e muito. Eu me pegava rindo antes mesmo da história terminar, porque já sabia onde aquilo ia dar. Amizade antiga tem disso: a gente não precisa de explicação, só de presença.
Entre um prato e outro, entre um gole e outro, eu percebia que não era só comida sendo servida. Era afeto. Era reconhecimento. Era aquela sensação boa de saber que, apesar de tudo o que mudou na vida de cada um, ainda existe algo ali que continua igual.
Quando a hora de ir embora começou a se insinuar, ninguém quis levantar. Eu também não. Não era só pelo lugar — era pelo que ele virou naquela tarde. Um ponto de reencontro, um abrigo, um espaço onde o passado não pesa, só ilumina o que a gente é hoje.
Saí dali com a sensação de que algumas histórias nunca acabam. Elas só ficam esperando o próximo encontro.
E eu sei que, quando ele acontecer, vai ser como se o tempo, mais uma vez, resolvesse parar só pra gente continuar.
