por Redação do Interior
O governo da Alemanha indicou nesta segunda-feira (16) que não pretende se envolver militarmente no confronto envolvendo o Irã, mesmo após um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ajudem a restabelecer a segurança no estratégico Estreito de Ormuz.
A posição foi apresentada pelo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, que avaliou que o atual conflito não está relacionado às obrigações da aliança militar ocidental. De acordo com ele, a guerra, iniciada no fim de fevereiro após uma ofensiva liderada pelos Estados Unidos em parceria com Israel, não envolve compromissos diretos da Otan.
O ministro também demonstrou ceticismo quanto à eficácia de ampliar a presença naval europeia na região do Golfo. Na avaliação do governo alemão, o envio de um número limitado de embarcações por países europeus teria pouca capacidade de alterar o cenário militar no estreito, especialmente diante da presença da poderosa Marinha norte-americana.
Conflito fora do escopo da Otan
A mesma interpretação foi reforçada pelo porta-voz do governo do chanceler Friedrich Merz, Stefan Kornelius. Segundo ele, o confronto não pode ser classificado como uma operação da Otan, já que a aliança foi concebida como um mecanismo de defesa coletiva voltado à proteção territorial de seus integrantes.
Para o governo alemão, enquanto o confronto continuar, não há previsão de qualquer participação militar do país, nem mesmo em missões destinadas a garantir a navegação comercial na região.
O apelo por cooperação internacional foi feito por Trump no último sábado (14), quando o presidente norte-americano solicitou que aliados e até mesmo a rival China contribuíssem para restabelecer a circulação de navios no Estreito de Ormuz.

A passagem marítima, localizada entre o Irã e a Península Arábica, é considerada uma das rotas energéticas mais importantes do planeta. Após o início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel, o governo iraniano anunciou o fechamento da área, e desde então diferentes embarcações relataram ataques ou incidentes nas proximidades.
Cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passa diariamente pelo estreito, o que fez com que o bloqueio provocasse preocupação imediata nos mercados globais de energia.
No domingo (15), Trump elevou o tom da pressão diplomática ao advertir que países aliados da Otan poderiam enfrentar consequências severas no futuro caso optassem por não participar dos esforços para garantir a segurança da rota marítima.
Resistência de países europeus
A recusa alemã ocorre em meio a uma postura semelhante adotada por outros aliados europeus. A França e a Itália também já indicaram que não pretendem enviar navios de guerra para a região.
Outro ponto destacado pelo governo alemão é que os países europeus não foram consultados antes do início da ofensiva militar. Segundo Berlim, Washington chegou a indicar no começo do conflito que a participação europeia não era necessária.
Nos primeiros dias após o início da guerra, o governo de Friedrich Merz demonstrava maior proximidade com a estratégia defendida por Washington e Tel Aviv. No começo de março, o chanceler alemão chegou a indicar alinhamento com Trump quanto à necessidade de uma mudança de regime em Teerã.

Com o passar das semanas e a percepção de que o confronto pode se prolongar, a postura de Berlim passou a se tornar mais cautelosa. A escalada militar e os efeitos econômicos do bloqueio do Estreito de Ormuz, especialmente sobre o preço do petróleo, passaram a preocupar mais intensamente o governo alemão.
Nos bastidores diplomáticos, autoridades europeias também teriam sido informadas de que Berlim vê falta de clareza na estratégia norte-americana para encerrar o conflito, o que tem contribuído para o distanciamento gradual do governo alemão em relação à ofensiva militar.
