por Redação do Interior
O recém-empossado líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira (12) que o país continuará enfrentando os Estados Unidos e Israel e manterá o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo.
As declarações foram transmitidas pela televisão estatal iraniana e lidas por um apresentador, sem a presença do líder religioso. Desde o início da guerra, nenhuma imagem pública de Khamenei foi divulgada. Ele assumiu o cargo após a morte do pai, Ali Khamenei, assassinado durante os primeiros ataques israelenses que também mataram membros da família do clérigo.
Segundo a agência Reuters, a mensagem teve tom combativo e enfatizou a continuidade da estratégia iraniana de pressionar seus adversários por meio da economia global.
“Garanto a todos que não negligenciaremos a vingança pelo sangue dos mártires”, afirmou Khamenei. “A demanda popular é que continuemos nossa defesa eficaz e façamos o inimigo se arrepender. A alavanca do bloqueio do Estreito de Ormuz deve continuar sendo utilizada.”
Pressão econômica global
O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo. A interrupção da rota já provoca impactos diretos no mercado internacional de energia.
Após oscilações ao longo da semana, o preço do petróleo voltou a ultrapassar os US$ 100 por barril, impulsionado pelo temor de que o bloqueio se prolongue. Analistas avaliam que a normalização dos preços depende diretamente da reabertura da passagem marítima.
Autoridades iranianas, no entanto, indicam que a situação dificilmente retornará ao cenário anterior ao início do conflito, em 28 de fevereiro. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que alguns navios ainda podem cruzar a região desde que coordenem a travessia com a Marinha iraniana.
Ataques no Golfo e escalada militar
A tensão também aumentou no Golfo Pérsico após uma série de incidentes envolvendo navios comerciais. Dois petroleiros pegaram fogo em um porto próximo a Basra, no sul do Iraque, depois de serem atingidos por embarcações carregadas de explosivos que autoridades suspeitam ser iranianas.

Imagens verificadas pela Reuters mostram grandes explosões e chamas iluminando o porto durante a noite. Pelo menos um tripulante morreu.
Horas antes, outros três navios foram atingidos na região. A Guarda Revolucionária Islâmica assumiu a autoria de ao menos um dos ataques, contra um cargueiro tailandês. Outro navio porta-contêineres relatou ter sido atingido por um projétil próximo aos Emirados Árabes Unidos.
Conflito se expande para o Líbano
A guerra também se intensificou em outras frentes. Bombardeios israelenses atingiram um edifício no centro de Beirute, capital do Líbano, lançando uma densa coluna de fumaça sobre a cidade.
Israel ordenou ainda a evacuação de moradores em áreas do sul libanês e ampliou a ofensiva contra o grupo Hezbollah, aliado do Irã. O movimento havia disparado a maior salva de foguetes contra território israelense desde o início da guerra.

De acordo com balanços preliminares, o conflito já deixou mais de 2 mil mortos, incluindo cerca de 700 no Líbano.
Reação dos Estados Unidos
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o impacto do aumento do petróleo não preocupa tanto Washington, destacando que o país é o maior produtor mundial da commodity.
“Quando os preços sobem, ganhamos muito dinheiro”, escreveu Trump em redes sociais, acrescentando que sua principal prioridade é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
Economistas, no entanto, alertam que preços elevados do petróleo podem acelerar a inflação global, especialmente porque os Estados Unidos também são o maior consumidor de energia do planeta.
Situação interna no Irã
Relatos vindos de Teerã indicam aumento da presença de forças de segurança nas ruas. Moradores ouvidos pela Reuters disseram que o clima na capital é de tensão, apesar de supermercados e serviços básicos continuarem funcionando.
“As forças de segurança estão em todos os lugares, mais do que antes. As pessoas têm medo de sair”, afirmou uma professora de 35 anos, identificada apenas como Majan.
Apesar de pedidos de EUA e Israel para que a população iraniana se levante contra o regime religioso, fontes de inteligência americanas afirmam que a liderança do país permanece estável e sem sinais de colapso imediato.
Petróleo pode chegar a US$ 200
A estratégia iraniana parece apostar em um choque econômico prolongado. Um porta-voz militar chegou a afirmar que o mundo deve se preparar para petróleo a US$ 200 por barril caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se mantenha.
Os países desenvolvidos anunciaram a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas para tentar conter a escalada dos preços — a maior intervenção coordenada da história no mercado de petróleo. Mesmo assim, analistas alertam que a medida equivale a apenas três semanas de fluxo normal de petróleo pela rota bloqueada.
Para especialistas do banco ING, a única forma de estabilizar os preços é restabelecer o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Fonte: Reuters.
