por Redação do Interior
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Cármen Lúcia, voltou a defender o fortalecimento da participação feminina em posições de liderança e fez duras críticas à violência de gênero no país. As declarações ocorreram nesta terça-feira (10), durante a abertura da sessão da Corte eleitoral.
Na ocasião, a ministra mencionou o Dia Internacional das Mulheres Juízas e destacou que mulheres ainda enfrentam obstáculos adicionais para alcançar cargos de poder. Segundo ela, estruturas informais de influência — historicamente dominadas por homens — acabam dificultando o acesso feminino a promoções e posições estratégicas.
“Como nós não participamos dos chamados clubes de charutos, temos mais dificuldade de ocupar determinados cargos no momento das promoções”, afirmou, ao citar espaços de convivência tradicionalmente masculinos onde muitas decisões e articulações acabam sendo construídas.
Durante o pronunciamento, a presidente do TSE também chamou atenção para o cenário de violência enfrentado por mulheres no Brasil. Para ela, agressões e assassinatos motivados por gênero representam uma ferida coletiva e atingem todas as mulheres.
“Quando se bate, ameaça ou mata uma mulher, cada uma de nós é igualmente violentada, principalmente em nossos direitos”, declarou.
Discurso contra o feminicídio
Ao longo da carreira, Cármen Lúcia tem abordado o tema em diferentes eventos e encontros institucionais. Em um encontro de mulheres que ocorreu em 2025, ao falar sobre feminicídio, a ministra afirmou que muitos crimes ocorrem simplesmente pelo fato de a vítima ser mulher.
“Mata-se a mulher por ser mulher, só por isso”, disse.
Na mesma fala, ressaltou que o compromisso das mulheres, segundo sua visão, é com a preservação da vida e não com a violência.
A magistrada também criticou o nível de brutalidade presente em muitos desses crimes e apontou que episódios de extrema crueldade evidenciam uma falha civilizatória. Em sua avaliação, uma sociedade que convive com esse tipo de violência ainda está distante de alcançar plenamente os princípios de igualdade e respeito à dignidade humana.
Ainda nesse encontro, a ministra lembrou das mobilizações femininas ocorridas durante o processo constituinte que resultou na Constituição de 1988. Ela citou a chamada “bancada do batom”, grupo de parlamentares que atuou na defesa da inclusão de direitos iguais entre homens e mulheres no texto constitucional.
Para Cármen Lúcia, apesar dos avanços institucionais conquistados nas últimas décadas, a igualdade ainda não se concretizou plenamente na prática.
Segundo a ministra, se homens e mulheres fossem tratados de forma verdadeiramente igual, não seria necessário reunir constantemente vozes para reafirmar princípios básicos de dignidade e direitos.
“Ainda precisamos dizer em voz alta que somos iguais em nossa humanidade, em nossa dignidade e em nossos direitos”, concluiu.
