por Redação do Interior
As cerca de 500 mulheres de movimentos de trabalhadoras rurais que haviam ocupado uma área da Mineração Vale Verde, em Craíbas, no Agreste de Alagoas, desocuparam as instalações da empresa após a confirmação de uma reunião com representantes do Tribunal de Justiça de Alagoas. O encontro foi marcado para o próximo dia 18 e deve discutir reivindicações apresentadas pelos movimentos do campo.
A ocupação ocorreu na manhã da última segunda-feira (9) e integrou a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra. A mobilização reuniu integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e representantes de outras organizações populares do campo que denunciaram impactos atribuídos às atividades da mineração no município.
Entre os grupos presentes estavam o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), a Frente Nacional de Luta (FNL), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), o Movimento Popular de Luta (MPL), o Movimento Via do Trabalho (MVT), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento Terra Livre, além de lideranças de comunidades rurais da região.
Com a confirmação da reunião institucional, as manifestantes decidiram encerrar a ocupação e deixar a área da mineradora. O encontro no Judiciário deve tratar, principalmente, da situação fundiária relacionada às terras pertencentes à massa falida do grupo empresarial ligado ao ex-deputado João Lyra.

Os movimentos reivindicam que cerca de 4.200 hectares da antiga Usina Laginha sejam adquiridos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com o objetivo de viabilizar o assentamento de famílias que vivem acampadas há mais de 15 anos em áreas ligadas ao complexo do grupo empresarial.
Protesto expôs disputa sobre modelo de desenvolvimento
Durante a ocupação, as organizações sociais também voltaram a questionar os impactos da atividade mineradora em comunidades vizinhas. Moradores relatam problemas que teriam surgido após o início das operações do projeto de mineração na região.
Entre as preocupações citadas estão tremores de terra associados às detonações utilizadas na extração mineral, rachaduras em residências, possíveis alterações em cursos d’água e relatos de morte de animais. Segundo as organizações, esses fatores vêm gerando insegurança entre famílias que vivem próximas à área da mina.
Instalada no Agreste alagoano desde 2007, a Mineração Vale Verde é responsável pelo Projeto Serrote, empreendimento voltado à exploração de cobre por meio de uma mina a céu aberto. O projeto recebeu investimentos superiores a R$ 700 milhões e tem como foco a produção de concentrado de cobre destinado principalmente ao mercado externo.

Apesar de ser apresentado como um projeto de desenvolvimento econômico para a região, o avanço da mineração tem provocado questionamentos por parte de movimentos sociais e comunidades rurais, que apontam possíveis impactos ambientais e sociais decorrentes da atividade.
Reforma agrária também está no centro da pauta
A mobilização das mulheres também trouxe novamente ao debate a situação da reforma agrária em Alagoas. Entre as reivindicações está a abertura de diálogo com o governo estadual, comandado por Paulo Dantas, para discutir a destinação de terras vinculadas à massa falida do grupo João Lyra.
Outra demanda apresentada pelos movimentos é a suspensão de despejos envolvendo famílias que vivem atualmente em acampamentos no estado. As organizações defendem que a redistribuição de terras pode ampliar a produção de alimentos, gerar renda no campo e fortalecer um modelo de desenvolvimento aliado à preservação ambiental.
Embora a ocupação tenha sido encerrada após a confirmação da reunião no Tribunal de Justiça, lideranças dos movimentos afirmam que o tema continuará em discussão e que novas mobilizações podem ocorrer caso as demandas apresentadas não avancem nas negociações com o poder público.
