por Redação do Interior
A direção nacional do PSOL decidiu, por ampla maioria, rejeitar a proposta de integrar uma federação partidária com o Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2026. A deliberação ocorreu neste sábado (7) e encerra semanas de debates internos que expuseram divergências estratégicas dentro da legenda.
A proposta analisada previa que o PSOL passasse a integrar a federação já formada pelo PT, PCdoB e Partido Verde (PV). No modelo de federação partidária criado pela legislação eleitoral brasileira, os partidos funcionam como um único bloco político por pelo menos quatro anos, compartilhando decisões estratégicas, candidaturas e atuação parlamentar.
No interior do PSOL, a iniciativa provocou um intenso debate político. Uma ala da legenda defendia a adesão à federação como forma de fortalecer o campo progressista diante da polarização nacional e ampliar o peso eleitoral da esquerda no Congresso. Esse posicionamento foi associado a lideranças como o deputado Guilherme Boulos e a deputada Erika Hilton.
Entretanto, a maioria das correntes partidárias avaliou que a federação poderia comprometer a autonomia política do PSOL. Entre os principais argumentos apresentados estavam o risco de diluição da identidade programática da legenda e a possibilidade de o partido ter de acompanhar alianças regionais definidas pelo PT que, em alguns estados, envolvem forças políticas adversárias do próprio PSOL.
Outro ponto levantado durante o debate foi o caráter duradouro da federação. Diferentemente das coligações eleitorais tradicionais — que se limitam ao período da eleição — a federação exige atuação conjunta das siglas por um ciclo mínimo de quatro anos, incluindo o funcionamento das bancadas no Congresso e a definição de estratégias políticas nacionais.
Apesar da rejeição à proposta de federação, dirigentes do PSOL têm reiterado que a decisão não representa rompimento com o campo político que sustenta o governo federal. O partido deve continuar alinhado ao projeto liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tende a apoiar sua candidatura à reeleição em 2026, possivelmente por meio de uma coligação eleitoral.
Com a decisão, a tendência é que o PSOL preserve sua estrutura partidária própria nas próximas eleições, mantendo liberdade para lançar candidaturas ao Congresso Nacional e aos governos estaduais. Paralelamente, a legenda deve seguir na federação já estabelecida com a Rede Sustentabilidade, formada em 2022.
A resolução evidencia uma tentativa do PSOL de equilibrar dois objetivos políticos: manter-se no campo de apoio ao governo Lula e à agenda da esquerda nacional, ao mesmo tempo em que preserva identidade e autonomia eleitoral diante do principal partido do bloco progressista.
