Crise entre EUA e Irã e dados fracos de emprego derrubam mercados e pressionam economia americana

Compartilhe

por Redação do Interior

A combinação entre o agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, além de indicadores econômicos abaixo do esperado, provocou forte reação nos mercados globais nesta sexta-feira (6). Investidores passaram a rever expectativas para a economia americana, enquanto os preços do petróleo dispararam.

Nos mercados futuros dos EUA, o clima foi de queda. Os contratos do S&P 500 recuaram 0,84%, enquanto os do Nasdaq Composite caíram 1,02%. O movimento refletiu o aumento das preocupações com os impactos econômicos de um possível conflito prolongado no Oriente Médio.

O mercado também reagiu ao salto no preço do petróleo. O barril do petróleo americano avançou mais de 5%, alcançando US$ 86,70 — o maior valor desde abril de 2024. Já o Brent crude oil, referência global, chegou a US$ 89,50 por barril, atingindo o nível mais alto em quase dois anos.

O cenário ficou ainda mais tenso após um alerta do governo do Catar. Autoridades do país indicaram que, caso o conflito na região se prolongue, produtores de energia do Golfo podem suspender exportações em poucas semanas. A estimativa é de que o preço do petróleo poderia atingir cerca de US$ 150 por barril, provocando fortes impactos na economia global.

Ao mesmo tempo, dados divulgados nesta sexta-feira mostraram um desempenho surpreendentemente fraco do mercado de trabalho americano. Em fevereiro, os Estados Unidos registraram perda de 92 mil vagas fora do setor agrícola, após a criação de 126 mil empregos no mês anterior. Economistas esperavam a abertura de cerca de 59 mil postos.

A taxa de desemprego também subiu, passando de 4,3% em janeiro para 4,4% em fevereiro.

Os números ampliaram as dúvidas sobre o ritmo de crescimento da economia americana e alteraram as projeções para a política monetária do Federal Reserve. Após a divulgação dos dados, investidores passaram a prever cortes de aproximadamente 45 pontos-base nas taxas de juros ao longo deste ano. Antes do relatório, a expectativa era de cerca de 35 pontos-base.

No mercado de títulos, o rendimento dos Treasuries de 10 anos caiu levemente nesta sexta-feira, para 4,125%. Ainda assim, o indicador acumulava alta semanal de 16 pontos-base, a maior desde abril de 2025.

O Índice do Dólar (DXY), que mede o desempenho da moeda americana frente a seis moedas internacionais, recuou após a divulgação dos dados de emprego. Mesmo assim, o indicador ainda caminha para fechar a semana com valorização de cerca de 1,4%, a maior desde o final de 2024.

O impacto também foi sentido fora dos Estados Unidos. Na Europa, o índice STOXX Europe 600 caiu cerca de 1%, refletindo o receio de que o aumento no preço da energia pressione economias que dependem de importações.

Já o MSCI All Country World Index, que reúne ações globais, caminhava para registrar queda semanal de 2,9%, a pior desde março de 2025.

A combinação de tensão geopolítica e sinais de desaceleração econômica nos Estados Unidos aumenta a volatilidade dos mercados e amplia as incertezas sobre o desempenho da economia mundial nos próximos meses.Com informações da Reuters.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *