por Redação do Interior
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, informou nesta quinta-feira (5) que deixará o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no início de abril. A decisão atende às regras da legislação eleitoral brasileira, que exigem o afastamento de integrantes do Executivo federal que pretendem disputar cargos nas eleições de 2026.
O anúncio foi feito durante a apresentação dos dados da balança comercial referentes ao mês de fevereiro. Na ocasião, Alckmin explicou que permanecerá à frente da pasta apenas até o prazo limite estabelecido pela lei, que determina que ministros deixem seus cargos até seis meses antes da realização do pleito.
De acordo com o calendário eleitoral, o primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Dessa forma, o prazo final para a desincompatibilização de ministros do governo federal é 4 de abril.
Atualmente, Alckmin acumula as funções de vice-presidente da República e ministro responsável pela política industrial e comercial do país. Com sua saída do MDIC, o governo federal deverá promover ajustes na estrutura administrativa da pasta e indicar um novo titular para conduzir as ações da área.
Nos bastidores, a expectativa é que o vice-presidente encerre sua gestão destacando resultados positivos obtidos pelo Brasil no comércio exterior. Em 2025, as exportações brasileiras alcançaram um recorde histórico de US$ 348,7 bilhões, superando em cerca de US$ 9 bilhões o resultado registrado em 2023. Com isso, o país consolidou três anos consecutivos com os melhores números já registrados pela balança comercial.
Outro marco da gestão é o avanço em acordos comerciais firmados pelo país. Entre eles está o tratado entre o Mercosul e a União Europeia, que foi aprovado pelo Congresso Nacional após passar pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Argentina e Uruguai também já concluíram o processo de ratificação, o que abre caminho para a aplicação provisória do acordo.
A previsão do governo brasileiro é que o pacto comece a vigorar a partir de maio. Estudos do MDIC indicam que o acordo poderá gerar um impacto positivo de cerca de 0,34% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o equivalente a aproximadamente R$ 37 bilhões. As projeções também apontam aumento dos investimentos e redução de preços para os consumidores.
Além desse tratado, o Brasil também avançou em outros acordos comerciais por meio do Mercosul nos últimos anos, incluindo pactos com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) e com Singapura.
Somados, os três acordos ampliam de forma significativa a parcela do comércio exterior brasileiro coberta por tratados internacionais. As estimativas apontam que esses pactos podem acrescentar cerca de R$ 67,6 bilhões ao PIB do país e elevar os investimentos em mais de R$ 25 bilhões.
As projeções também indicam expansão das exportações brasileiras em aproximadamente R$ 76,6 bilhões, enquanto as importações devem crescer em torno de R$ 72,6 bilhões.
Após deixar o ministério, Alckmin continuará exercendo normalmente suas funções como vice-presidente da República. O governo federal deverá definir nas próximas semanas quem assumirá o comando do MDIC até o fim do atual mandato presidencial.
