por Redação do Interior
Os mercados globais iniciaram a semana sob forte tensão depois dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. A reação mais imediata foi no setor de energia: o petróleo disparou já nos primeiros minutos de negociação deste domingo (1º).
Por volta das 21h (horário de Brasília), o barril do tipo Brent — referência internacional — registrava alta de 8,3%, cotado a aproximadamente US$ 78,50, depois de chegar a subir 13% na abertura, às 20h. É o maior patamar desde janeiro de 2025. Na sexta-feira (27), antes da escalada militar, o Brent havia fechado a US$ 72,48. No acumulado de 2026, a commodity já soma valorização próxima de 19%.
O clima de aversão ao risco também atingiu outros ativos. Contratos futuros de índices acionários americanos, como o S&P 500 e o Nasdaq 100, recuavam cerca de 1% no início da noite, enquanto o ouro avançava 1,4%, refletindo a busca por proteção diante da instabilidade geopolítica.
O principal foco de preocupação é o estreito de Hormuz, corredor marítimo estratégico por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A região, sob forte influência iraniana, tornou-se ponto sensível após os ataques.
Nas últimas 24 horas, os riscos para a navegação aumentaram de forma significativa. Dados de tráfego marítimo indicam que mais de 200 embarcações — entre petroleiros e navios de gás natural liquefeito — permaneceram ancoradas nas proximidades do estreito e em áreas adjacentes, à espera de maior segurança para seguir viagem.
Analistas avaliam que eventuais restrições prolongadas ao fluxo de navios podem retirar milhões de barris diários do mercado internacional, pressionando ainda mais as cotações.

Em meio à escalada das tensões, a Opep+ decidiu elevar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril. O volume adicional, no entanto, representa menos de 0,2% da oferta global e é considerado insuficiente para neutralizar possíveis interrupções mais severas.
Projeções de grandes bancos internacionais já refletem esse cenário de incerteza. Instituições financeiras passaram a trabalhar com o Brent oscilando entre US$ 80 e US$ 90 ao longo da semana, enquanto estimativas mais pessimistas apontam para a possibilidade de a cotação atingir a faixa dos US$ 100 caso haja bloqueios ou danos relevantes à infraestrutura energética da região.
Papel do Irã no mercado global
O Irã detém a quarta maior reserva comprovada de petróleo do planeta. Apesar disso, sanções econômicas e limitações estruturais reduziram sua participação nas exportações. Em janeiro, o país produziu cerca de 3,45 milhões de barris por dia, volume equivalente a menos de 3% da oferta global. A maior parte dessa produção tem como destino a China.
Por essa razão, especialistas consideram que o risco maior não está necessariamente na retirada direta do petróleo iraniano do mercado, mas sim em uma eventual paralisação do tráfego no estreito de Hormuz, que afetaria também grandes exportadores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, fornecedores importantes para a Ásia e a Europa.
Um petróleo mais caro tende a beneficiar empresas exportadoras e países produtores. No caso brasileiro, companhias como a Petrobras podem ampliar receitas em um ambiente de preços elevados. Por outro lado, a alta prolongada da commodity costuma pressionar combustíveis, fretes e cadeias produtivas, com potencial de alimentar a inflação global.
O desdobramento do conflito no Oriente Médio será determinante para definir o rumo das cotações. Quanto mais extensa e duradoura for a crise, maior a probabilidade de que o choque no petróleo se converta em um novo fator de instabilidade econômica internacional.
