por Redação do Interior
Moradores de Major Izidoro e Cacimbinhas, no Sertão de Alagoas, viveram uma cena pouco comum na noite de ontem, 21 de fevereiro: pedras de gelo caindo do céu em meio à chuva forte. O registro, feito principalmente em áreas da zona rural, chamou atenção pela raridade do fenômeno em uma das regiões mais quentes do estado.
Segundo relatos divulgados, não houve registro de feridos nem de danos materiais significativos. O impacto maior foi o espanto. Em Cacimbinhas, o episódio marcou a segunda ocorrência de granizo apenas neste mês — o primeiro havia sido registrado na Quarta-Feira de Cinzas (18 de fevereiro), também na zona rural do município.
Apesar da surpresa, o fenômeno tem explicação científica. O granizo se forma dentro de nuvens de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como cumulonimbus. Em dias de calor intenso — condição comum no Sertão — o ar aquecido próximo ao solo sobe rapidamente. Ao alcançar altitudes elevadas, onde as temperaturas estão abaixo de zero, as gotas de água congelam. Impulsionadas por correntes ascendentes e descendentes dentro da nuvem, essas partículas de gelo passam por um processo de crescimento em camadas sucessivas até ficarem pesadas o suficiente para cair.
Isso significa que, mesmo com temperaturas acima dos 30 °C na superfície, as regiões mais altas da atmosfera podem estar frias o bastante para permitir a formação de gelo.
Especialistas explicam que a combinação entre calor acumulado, umidade e instabilidade atmosférica favorece tempestades mais intensas. Sistemas típicos do verão nordestino, como os Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis, podem contribuir para a organização dessas nuvens de tempestade, aumentando a probabilidade de fenômenos como o granizo.
De acordo com explicações meteorológicas amplamente adotadas por instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a dinâmica observada no Sertão está em conformidade com o processo clássico de formação do granizo. Embora o INMET costume emitir alertas para tempestades com potencial de granizo em diversas regiões do país quando há instabilidade, não há, até o momento, registro de aviso específico direcionado aos dois municípios neste episódio.
Meteorologistas também ressaltam que eventos extremos têm sido observados com maior frequência em diferentes partes do Brasil. Ainda assim, um caso isolado não pode ser automaticamente atribuído às mudanças climáticas globais. O que se pode afirmar é que a atmosfera mais aquecida tende a concentrar mais energia, favorecendo episódios de chuva intensa e tempestades localizadas.
