A história do automóvel no mundo remonta aos idos de 1886, quando em janeiro o alemão Karl Benz patenteou um carro com motor monocilíndrico movido a gasolina (esse carro tinha uma potência máxima de 0,75 cavalo-vapor e 400 rotações por minuto e percorria 16 KM em uma hora). Alguns pesquisadores, contudo, dizem que o inventor do automóvel foi o austríaco Siegrified Marcus, em 1870. Como era de descendência judaica, teve seus dados apagados pelo governo nazista da Alemanha. Há, ainda, outros que querem ter a primazia de ter inventado o automóvel: é o caso do francês Éduoard Delamare-Deboutteville que patenteou um veículo a motor bicilíndrico alimentado a gás de petróleo, em 1884.
Atualmente, pelo mundo e inclusive o Brasil, o automóvel circula pelas estradas e ruas movido a combustão (gasolina, etanol, diesel), híbrido (combustão e energia) e energia (armazenada em baterias).
Mas, o que tem Arapiraca com a isto?
Ora, em Arapiraca não houve ninguém a patentear automóvel. Longe disto! Em 1924, porém, o arapiraquense Manoel Leão (que era um grande plantador de mandioca) resolveu adquirir um automóvel Ford, modelo 1919, de pneus, caixa de câmbio, e de três marchas.-, que era movido a gasolina.
O historiador e folclorista Zezito Guedes conta, em seu livro ARAPIRACA ATRAVÉS DO TEMPO (p.69, 2ª edição de 2020), afirma que o primeiro motorista desse carro foi “Zé de Ervídia, natural de Coruripe, que conduziu o Marvoso nos primeiros tempos, sucedendo-lhe o rapazola Virgílio Rodrigues, que, ao cabo de três anos, passou o volante ao seu primo Abílio Leite. Em seguida, conduziram o Marvoso José Tomé e Zé do Marcolino.”
Por que o nome de Marvoso?
Deveu-se ao alto uso de gasolina que consumia.
Ficou na memória de muitos arapiraquenses duas histórias ligadas à presença do Marvoso pelo diversos cantos do município: a primeira, dois irmãos, moradores da Massaranduba, de nomes Luís e Antônio Teixeira – quando ouviram o barulho daquele “treco”, assustados, embrearam-se (palavra que só existe no dito popular) na mata, acreditando que o mundo estava se acabando; a segunda, trágica, de uma mulher moradora da Canafístula, que estava a dar banho numa criança de poucos meses – ao ouvir o barulho vindo dos lados de Penedo, “soltou a criança na água e correu para o mato; quando a mulher voltou o bebê estava morto, tinha morrido afogado.”
O arapiraquense Manoel Leão, com aquele instrumento, prestou um grande serviço ao município, levando produtos locais e passageiros até a capital. Foi um desbravador.

* Jornalista
