por Redação do Interior
O cantor porto-riquenho Bad Bunny, 31, fez na sexta-feira (20) sua aguardada estreia no Brasil com um espetáculo no Allianz Parque, na zona oeste da capital paulista. A apresentação integra a turnê “Debí Tirar Más Fotos World Tour” e teve ingressos esgotados. O artista volta ao palco no sábado (21) para a segunda e última noite no país.
Considerado um dos nomes mais influentes da música global na atualidade e vencedor do Grammy Awards, o cantor entregou um espetáculo que foi além da sucessão de hits. Em pouco mais de duas horas, mesclou tradição caribenha, pop contemporâneo e mensagens sobre identidade cultural, em uma performance marcada pela energia do público paulista.
Salsa, dembow e raízes porto-riquenhas
Vestindo terno e gravata brancos no primeiro ato, Benito Martínez Ocasio — seu nome de batismo — encerrou essa parte inicial com “Nuevayol”, faixa que sampleia “Un Verano en Nueva York”, clássico da orquestra El Gran Combo de Puerto Rico. A canção parte da salsa tradicional e evolui para batidas de dembow, sintetizando a proposta estética do artista: fundir passado e presente, raízes e indústria global.
A dualidade esteve presente desde a abertura, com “La Mudanza”, construída sobre uma base de salsa dura enquanto o cantor despejava versos que remetem à experiência porto-riquenha e à relação política da ilha com os Estados Unidos. Porto Rico é território americano, mas não possui status de estado, e seus habitantes não votam nas eleições presidenciais — tema que aparece como pano de fundo em parte de sua obra recente.
Embora a política não tenha sido explicitamente central no show, ela atravessa o conceito da turnê, baseada no álbum “Debí Tirar Más Fotos”, lançado no ano passado. Em meio ao pop de massa, Bad Bunny reafirma uma identidade latina que dialoga tanto com o trap e o reggaeton quanto com gêneros tradicionais como salsa e plena.
Desde os primeiros minutos, o estádio acompanhou em coro cada verso. Mesmo com o microfone um pouco baixo na abertura, a recepção foi explosiva. Fãs gritavam o nome de “Benito” e reagiam a cada pausa calculada do artista diante da numerosa banda que o acompanha.
Em determinado momento, ele celebrou o fato de finalmente se apresentar no Brasil. “Estou muito feliz. Finalmente realizei meu sonho de visitar o Brasil. Muito obrigada, do fundo do meu coração”, disse, arriscando frases em português e arrancando aplausos.
A conexão com o público ganhou contornos simbólicos. Em tom de celebração, o cantor convidou os brasileiros a assumirem a própria latinidade, fortalecendo a ideia de pertencimento cultural compartilhado na América Latina, apesar das diferenças linguísticas.
Camisa da seleção e convidados especiais
Ao longo da noite, Bad Bunny também vestiu uma camisa verde e amarela da seleção brasileira e subiu ao cenário que reproduz uma “casita” para interpretar “Tití Me Preguntó”, um dos maiores sucessos da carreira.
Entre os convidados da casa cenográfica esteve a cantora Lauren Jauregui, ex-integrante do Fifth Harmony, que passou a semana no Brasil após participar de eventos no Carnaval do Rio.
A abertura do espetáculo contou ainda com um curta exibido no telão, estrelado pela atriz brasileira Lili de Siqueira, 17, que celebrou nas redes sociais a participação no projeto e destacou a importância da chegada do artista ao país.
O repertório mesclou faixas do novo álbum com sucessos que consolidaram Bad Bunny como fenômeno global, como “Callaíta”, “Yo Perreo Sola”, “DÁKITI” e “Tití Me Preguntó”. O setlist alternou momentos de explosão dançante com trechos mais emotivos, mantendo o público em movimento do início ao fim.
Sem discursos longos ou referências diretas ao cenário político internacional recente, o show apostou na música como principal instrumento de afirmação cultural. Ao levar a salsa para o centro de um espetáculo pop em estádio, o artista transformou a estreia brasileira em uma celebração das origens porto-riquenhas e da força da música latina no mercado global.
