Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno e aciona FGC para até 160 mil clientes

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por Redação do Interior

O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., instituição que já integrou o conglomerado do Banco Master e que vinha enfrentando deterioração acelerada de liquidez.

A decisão também alcança a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. Segundo o BC, a medida foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira”, pela piora no caixa e por infrações às normas que regem o sistema financeiro.

Pressão sobre o FGC

Com a liquidação, o caso passa a impactar diretamente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por assegurar até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em depósitos e investimentos cobertos — com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, em caso de múltiplas quebras.

De acordo com o fundo, o Pleno reúne cerca de 160 mil clientes com valores elegíveis à garantia, somando R$ 4,9 bilhões. O pagamento será iniciado após o liquidante concluir e enviar a base de dados dos credores ao FGC.

Estão cobertos instrumentos como conta corrente, poupança, CDB, LCI e LCA. O pedido de ressarcimento deve ser feito pelo aplicativo do FGC (no caso de pessoa física) ou pelo site (para pessoas jurídicas). O credor precisa manifestar formalmente interesse, já que o pagamento implica cessão de crédito ao fundo.

Proibição de emitir CDBs agravou crise

Antes da liquidação, o Banco Pleno já estava impedido pelo BC de emitir novos CDBs para reforçar o caixa. No mercado secundário, esses papéis chegaram a ser negociados a 165% do CDI no fim de 2025, refletindo o risco percebido pelos investidores.

Dados oficiais do BC, referentes a junho de 2025, mostram que o então ex-Voiter tinha patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro acumulado de R$ 169,3 milhões. O passivo, no entanto, alcançava R$ 6,68 bilhões — sendo R$ 5,4 bilhões apenas em CDBs.

Sem a possibilidade de captar novos recursos, a instituição perdeu fôlego para honrar compromissos de curto prazo, cenário que culminou na intervenção definitiva.

Conexões com o caso Master

O Pleno teve origem no antigo Banco Indusval, que deixou a B3 em 2020 e foi rebatizado como Voiter após reestruturação. Em 2024, a instituição foi adquirida pelo Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.

Em julho de 2025, o BC aprovou a transferência do controle para o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. A partir daí, o banco passou a se chamar Banco Pleno e direcionou sua atuação ao segmento empresarial.

Lima e Vorcaro foram presos no fim de 2025 durante a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes em carteiras de crédito negociadas no sistema financeiro. Ambos tiveram a prisão preventiva revogada menos de duas semanas depois e respondem em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.

O rombo associado a instituições ligadas a Vorcaro já era estimado em R$ 46,9 bilhões — sendo R$ 40,6 bilhões referentes ao Master e outros bancos do conglomerado, além de R$ 6,3 bilhões do Will Bank.

Apesar da repercussão, o BC destacou que o conglomerado do Pleno representava apenas 0,04% do total de ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, classificando-o como grupo de pequeno porte.

O que significa liquidação extrajudicial

Na prática, a liquidação extrajudicial encerra as atividades da instituição. Um liquidante nomeado pelo Banco Central assume a administração, promove o levantamento de ativos, realiza a venda de bens e efetua o pagamento dos credores conforme a ordem legal de prioridades. Ao fim do processo, o banco deixa formalmente de existir.

O BC informou ainda que continuará apurando responsabilidades administrativas e poderá aplicar sanções, além de comunicar eventuais irregularidades às autoridades competentes. Os bens de Augusto Lima e de administradores do banco foram tornados indisponíveis.

A nova liquidação amplia o impacto sistêmico da crise envolvendo o antigo grupo Master e deixa maior o desafio para o FGC, que precisará administrar um dos maiores volumes recentes de pagamentos a investidores no país.

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