por Redação do Interior
A madrugada desta segunda-feira (16) foi marcada por um dos momentos mais emblemáticos do Carnaval 2026 na Marquês de Sapucaí. A Imperatriz Leopoldinense levou para a avenida uma homenagem grandiosa a Ney Matogrosso, de 84 anos, celebrando sua trajetória artística no enredo “Camaleônico”.
Vestindo um macacão coberto por pedrarias verdes e seus característicos adereços dourados na cabeça, o cantor desfilou em um dos carros alegóricos e participou ativamente de todas as etapas de construção do samba-enredo ao lado da escola. A presença do artista na avenida reforçou o tom afetivo e simbólico da homenagem.
Um enredo sobre metamorfose e liberdade
Com o título “Camaleônico”, a proposta foi destacar a versatilidade e a força performática de Ney, artista que construiu carreira marcada por reinvenções estéticas e posicionamentos ousados. A escola ressaltou a “obra e virtuosidade performática” do intérprete de clássicos como Sangue Latino, Rosa de Hiroshima, O Vira, Homem com H e Metamorfose Ambulante.
O desfile percorreu diferentes fases da carreira do cantor, incluindo o período à frente do grupo Secos & Molhados e sua consolidada trajetória solo. Alegorias e fantasias exploraram personagens e símbolos marcantes, como o “Homem de Neanderthal”, além de referências à estética andrógina e teatral que se tornou assinatura do artista.
Leandro Vieira aposta na diversidade cultural
O desenvolvimento visual e narrativo ficou a cargo do carnavalesco Leandro Vieira. Segundo a agremiação, o criador manteve a proposta de ancorar seus carnavais leopoldinenses na valorização da diversidade da cultura brasileira — conceito que dialoga diretamente com a trajetória de Ney Matogrosso.
A apresentação também teve destaque na linha de frente da bateria. A cantora Iza, rainha de bateria da escola, brilhou na avenida ao lado das musas Carmem Mondego e Tati Rosa, arrancando aplausos do público.
Recepção calorosa na Sapucaí
A Imperatriz foi a segunda escola a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial do Rio de Janeiro. A passagem pela Sapucaí foi marcada por forte emoção nas arquibancadas, com o público ovacionando o homenageado.
Ao transformar a avenida em um grande palco de celebração artística, a escola construiu um espetáculo que uniu música, teatralidade e identidade cultural. Mais do que revisitar sucessos, o desfile reafirmou Ney Matogrosso como símbolo de liberdade criativa, transgressão estética e permanência na história da música brasileira.
