por Redação do Interior
Ergueu-se na noite do Recife como quem desperta um sonho antigo — e, com ele, despertou também a cidade inteira. Na Ponte Duarte Coelho, sob o céu iluminado e diante de uma multidão emocionada, a maior alegoria do Carnaval pernambucano ganhou seu último gesto de vida: o coração.
Ontem terça-feira (10), centenas de foliões caminharam em cortejo pelas ruas do Centro levando, entre cantos e aplausos, a peça que faltava para completar a estrutura. Não era apenas um detalhe cenográfico. Era símbolo. Era memória. Era afeto coletivo.
O coração, agora visível do lado de fora do peito do Galo, pulsa em homenagem a Dom Helder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, voz dos que não tinham voz, homem que fez da fé um ato de coragem e humanidade. A peça, criada em cocriação pelos artistas Leopoldo Nóbrega e Júlio Gonçalves, traduz em forma e luz a essência do tema deste ano: “Galo Folião Fraterno”.
Quando o coração foi instalado, não foi só a alegoria que se completou. Foi como se a cidade respirasse fundo. Como se o frevo ganhasse um novo compasso. Como se o Recife lembrasse, mais uma vez, que seu Carnaval é feito de gente, de história e de resistência.
Agora, com o coração acelerado e iluminado no peito, o Galo anuncia o que todos esperavam ouvir: o maior Carnaval do Nordeste começou.
E começa com uma mensagem que ecoa além da festa — fraternidade, cuidado e esperança. Porque no Recife, quando o Galo se levanta, não é só a folia que desperta. É o povo inteiro que volta a acreditar na força de celebrar juntos.
