por Redação do Interior
A Latam Airlines Brasil confirmou nesta quarta-feira (11) a demissão do piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, preso temporariamente dois dias antes sob suspeita de comandar uma rede estruturada de exploração sexual de crianças e adolescentes.
Em nota, a companhia informou que o funcionário “não faz mais parte do seu quadro de colaboradores” e destacou adotar política de “tolerância zero para ações e atos que desrespeitem seus valores, ética e código de conduta”. A empresa também declarou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Prisão ocorreu dentro de aeronave
Sérgio foi detido na manhã de segunda-feira (9), dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, momentos antes da decolagem de um voo com destino ao Rio de Janeiro. Ele já estava na cabine quando foi abordado por agentes da Polícia Civil.
A ação integrou a Operação “Apertem os Cintos”, conduzida pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo os investigadores, a estratégia de prisão no aeroporto foi adotada após dificuldades para localizar o suspeito em sua residência, já que ele mantinha rotina intensa de viagens por causa da profissão. Para viabilizar a abordagem, a polícia solicitou à companhia aérea informações sobre a escala de voos.
O piloto é casado, tem filhos e mora em Guararema, na região metropolitana de São Paulo.
Investigação aponta atuação prolongada
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito teve início em outubro do ano passado e se estendeu por cerca de três meses. As apurações indicam que o esquema criminoso funcionava havia vários anos, com indícios de atuação por pelo menos oito anos.
As suspeitas recaem sobre a prática reiterada de crimes como:
- Estupro de vulnerável
- Exploração sexual infantil
- Favorecimento da prostituição
- Produção, armazenamento e possível distribuição de material de abuso sexual infantil
A polícia sustenta que havia organização estruturada, com divisão de funções entre os envolvidos.
Segundo a investigação, o piloto estabelecia contato inicial com mães, avós ou responsáveis legais pelas vítimas, fingindo interesse em relacionamento afetivo. Posteriormente, deixava explícito que o objetivo era ter acesso às crianças e adolescentes, passando a oferecer compensações financeiras.
Os investigadores afirmam que ele pagava entre R$ 30 e R$ 100 por imagens enviadas por meio de aplicativos de mensagens, com transferências realizadas via Pix. Em alguns casos, além do dinheiro, oferecia ajuda com despesas básicas, comprava alimentos, medicamentos e eletrodomésticos e chegou a custear aluguel para determinadas famílias.
A polícia apurou ainda que, quando havia encontros presenciais, o suspeito utilizava documentos de identidade falsos de adultos para levar as vítimas a motéis, onde os abusos eram consumados.
Também foi constatado que ele recebia imagens das vítimas enviadas por responsáveis, principalmente por meio do WhatsApp, mediante pagamento.
Vítimas identificadas e outros investigadosAté o momento, foram identificadas dez vítimas no estado de São Paulo, com idades entre 11 e 15 anos à época dos crimes. As autoridades não descartam a possibilidade de existência de mais vítimas, inclusive em outros estados.
Durante a operação, uma mulher de 55 anos, avó de três das vítimas, foi presa temporariamente sob suspeita de aliciar as próprias netas, com idades entre 10 e 14 anos. Já a mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil.
