Renan Calheiros detalha atuação da CAE no caso Banco Master e comenta MDB na chapa de Lula

Compartilhe

por Eli Mário Magalhães

Em entrevista exclusiva ao Poder Expresso, do SBT NEWS, nesta terça-feira (10), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) falou sobre os trabalhos da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no caso do Banco Master, o papel de órgãos públicos na investigação e o cenário político do MDB em relação à reeleição do presidente Lula.

Banco Master: investigação e acesso a informações

Calheiros explicou que a CAE não investiga a fraude do Banco Master por iniciativa própria, mas porque cumpre sua missão constitucional de fiscalizar o sistema financeiro.

“Ainda não obtivemos acesso às informações sigilosas do Banco Central, mas, na forma da Lei Complementar 105, o BC vai colaborar, pois vamos requisitar todos os dados necessários”, afirmou.

O senador destacou que a comissão pode avançar nas convocações de autoridades e investigados, mas que medidas mais rigorosas, como a quebra de sigilo, precisam ser aprovadas pelo plenário do Senado, enquanto os convites são decididos pelos membros da CAE.

“A comissão não atua sozinha; qualquer quebra de sigilo será submetida ao plenário do Senado, já os convites a autoridades e investigados são aprovados pelos membros da CAE”, reforçou.

Grupo de trabalho da CAE e relação com CPIs

Sobre a criação do grupo de trabalho dentro da CAE para acompanhar o caso, Calheiros respondeu às críticas de quem defendia a instalação de uma CPI ou CPMI. Segundo ele, a comissão cumpre sua função legal e tem legitimidade para atuar no caso.

“Qualquer alteração na legislação será feita principalmente pela própria CAE. Temos legitimidade”, afirmou.

O senador ressaltou que não haverá concorrência com eventuais CPIs.

“Os trabalhos serão complementares: a fiscalização da CAE é permanente, enquanto uma CPI é temporária. A CAE pode, de forma complementar, ajudar as CPIs, que defendo e acredito que devam ser instaladas”, disse.

Reuniões com autoridades e próximos passos

Amanhã, quarta-feira (11), a CAE terá reuniões com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do STF, Edson Fachin, para solicitar acesso as informações das investigações em andamento, incluindo as operações Colossos e Compliance Zero.

“Vou solicitar assessoramento técnico e acesso a essas informações. Na medida em que pudermos acessar esses dados, vamos colaborar para a elucidação completa dos fatos”, destacou.

Calheiros reforçou que o papel da CAE é insubstituível, voltado para aprimorar a regulação e fechar brechas na fiscalização, e citou fatos públicos que mostram a pressão sobre órgãos e instituições:

  • Tentativas de integrantes do Centrão de elevar o FGC para R$ 1 milhão, com emendas apresentadas no Senado e na Câmara;
  • Tentativa de alterar a lei de independência do Banco Central para permitir que o Congresso pudesse exonerar diretores;
  • Demissões na Caixa Econômica Federal de diretores que se recusaram a fazer aplicações no Banco Master;
  • Pressões sobre setores do Tribunal de Contas da União, realizadas pelo atual presidente da Câmara e pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Situação política do MDB e eleição presidencial

Ao comentar o cenário político, Calheiros afirmou que, em reunião com o presidente Lula, ele e o líder Eduardo Braga, explicaram que, caso o MDB seja convidado a indicar o vice na chapa presidencial, as correntes do partido que apoiam Lula teriam vantagem na convenção partidária. Segundo o senador, a possibilidade de indicar o vice é “um trunfo fortíssimo” para influenciar o resultado da convenção.

Ele ressaltou que o MDB é um partido grande e plural, com diversas correntes internas.

“A escolha do nome do vice é a última etapa: primeiro precisa haver o convite, depois a decisão interna do partido, e só então será indicada a pessoa”, explicou.

Calheiros ainda mencionou que, embora Lula tenha comentado sobre a preferência pelo ministro Haddad e o vice-presidente Alckmin como candidatos em São Paulo, isso ficou apenas no campo da conversa, sem decisões tomadas até o momento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *