Senado intensifica ofensiva e amplia investigação sobre o Banco Master

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por Redação do Interior

O Senado Federal deu um novo passo no aprofundamento das investigações sobre o colapso do Banco Master. O Grupo de Trabalho (GT) criado no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) terá, nesta quarta-feira (11), uma agenda considerada estratégica para o avanço da apuração, com reuniões marcadas com os chefes da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.

Às 17h, os integrantes do GT se reúnem, na sede da Polícia Federal, com o diretor-geral da corporação, Andrei Augusto Passos Rodrigues. Em seguida, às 18h30, ocorre um encontro institucional com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. A avaliação no Senado é de que os dois encontros serão determinantes para alinhar o compartilhamento de informações, inclusive aquelas protegidas por sigilo judicial.

As reuniões foram confirmadas durante encontro do GT realizado na terça-feira (10), ocasião em que os senadores aprovaram um pacote de 19 requerimentos. As medidas envolvem convites para depoimentos, pedidos formais de informações e a realização de audiências públicas para esclarecer as circunstâncias que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro do ano passado.Entre os convites aprovados estão os destinados a Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, e a Augusto Lima, ex-sócio da instituição. O objetivo é esclarecer a condução das operações financeiras do banco e o papel da diretoria nas decisões que antecederam a intervenção.

A CAE avalia que o caso tem impacto nacional, especialmente sobre investidores de maior porte, fundos de previdência e fundos de pensão, além de aplicações financeiras acima do limite de garantia do Fundo Garantidor de Créditos. A comissão também aponta riscos sistêmicos provocados pelo funcionamento prolongado do banco antes da liquidação.

Audiências públicas e pedidos de informação

O GT aprovou ainda a realização de audiências públicas com autoridades centrais da área econômica e de controle. Entre os nomes que deverão ser ouvidos estão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o diretor de fiscalização da autarquia, Ailton Santos; o ex-presidente do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza; o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly; o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho; e o próprio diretor-geral da Polícia Federal. As datas dessas audiências ainda serão definidas.

Outras três audiências temáticas também foram aprovadas. Uma delas terá foco específico na atuação do conglomerado Master e na resposta das instituições brasileiras de supervisão e controle. As duas restantes irão tratar das operações financeiras e dos investimentos realizados pelo Banco de Brasília (BRB), com atenção especial para a operação de compra e investimento envolvendo o Banco Master. Entre os convidados previstos estão o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o ex-diretor jurídico da instituição, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.

Além das audiências, o GT autorizou o envio de pedidos formais de informações ao Banco Central, à Polícia Federal, ao Tribunal de Contas da União, ao Ministério da Fazenda, ao Banco de Brasília e à Comissão de Valores Mobiliários. A intenção é reunir dados técnicos, relatórios de fiscalização, procedimentos administrativos e eventuais inquéritos em andamento.

Apuração descentralizada

Durante a reunião do grupo, foi informado que a Polícia Federal abriu inquéritos relacionados ao caso do Banco Master em diferentes estados do país. Diante desse cenário, os senadores defendem o acompanhamento sistemático dessas investigações descentralizadas, para manter o Senado atualizado sobre os desdobramentos e as possíveis ramificações das apurações.

A estratégia do GT é consolidar essas informações em um acompanhamento contínuo, permitindo mapear conexões entre operações financeiras, agentes envolvidos e eventuais falhas de supervisão que possam ter contribuído para a crise do banco.

Com a ampliação das frentes de investigação e o reforço da articulação institucional, a CAE pretende avançar na reconstrução da trajetória do Banco Master e na identificação de responsabilidades, em um esforço que deve se intensificar nas próximas semanas no Congresso Nacional.

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