por Redação do Interior
A atuação da Polícia Federal contra investimentos considerados de alto risco feitos por institutos de previdência pública avança pelo país e começa a projetar novos desdobramentos. Após as operações que atingiram o Rioprevidência, no Rio de Janeiro, e a Amprev, no Amapá, o Instituto de Previdência de Maceió (IPREV) passa a ser apontado como um possível próximo foco das investigações.
Na última sexta-feira (6), a PF deflagrou a Operação Zona Cinzenta, que apura suspeitas de gestão temerária e gestão fraudulenta na aplicação de R$ 400 milhões da previdência do Amapá em Letras Financeiras do Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025 após uma grave crise de liquidez. A ação incluiu mandados de busca e apreensão em Macapá, autorizados pela Justiça Federal.
O caso do Amapá se soma ao do Rio de Janeiro, onde o Rioprevidência investiu cerca de R$ 970 milhões no mesmo banco. Lá, a investigação avançou para a prisão do ex-presidente do fundo e para decisões judiciais que bloquearam novos repasses, diante do risco ao patrimônio de aproximadamente 235 mil aposentados e pensionistas.
Nesse contexto, análises recentes no debate público nacional apontam que o IPREV de Maceió reúne características semelhantes às observadas nos casos já investigados. O instituto municipal direcionou parte relevante de seus recursos para letras financeiras do Banco Master e fundos classificados como de alto risco, operações que não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A ausência de proteção em caso de insolvência amplia o risco de prejuízo direto ao patrimônio previdenciário, com potencial impacto sobre aposentadorias e pensões de servidores municipais.
Denúncia ao Ministério Público
As aplicações do IPREV foram levadas ao Ministério Público pelo vereador Rui Palmeira, que apontou falhas na política de investimentos e questionou a atuação de uma consultoria financeira já investigada pela Polícia Federal por prejuízos causados a outros fundos previdenciários no país.
O Ministério Público confirmou que a denúncia será analisada. Até o momento, não há investigação formal da PF sobre o IPREV, mas o avanço das operações em outros estados reforça o clima de atenção e apreensão.
A combinação de banco em liquidação, histórico recente de prisões de dirigentes de fundos previdenciários e aplicações sem garantias legais tem gerado insegurança entre servidores ativos e aposentados. Especialistas alertam que eventuais perdas podem comprometer o equilíbrio atuarial do sistema, afetando tanto beneficiários atuais quanto futuros.
