Sindjornal repudia intimidação a jornalistas durante cobertura de velório em Coité do Nóia

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por Redação do Interior

A nota divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) relata um episódio grave ocorrido durante a cobertura do velório coletivo das vítimas do capotamento do ônibus de romeiros em Coité do Nóia, tragédia que comoveu todo o estado e ganhou repercussão nacional. Segundo a entidade, profissionais da imprensa foram alvo de intimidações, ameaças e tentativas explícitas de silenciamento por integrantes da gestão municipal, em um contexto que extrapola o respeito ao luto e toca diretamente em violações à liberdade de imprensa.

De acordo com o Sindjornal, a situação mais emblemática ocorreu quando o secretário municipal de Cultura colocou a mão em uma câmera de televisão durante uma transmissão ao vivo, insinuando que o prefeito Bueno Higino teria determinado o encerramento da cobertura. A cena, exibida ao público, gerou constrangimento não apenas aos jornalistas presentes, mas também aos telespectadores, e foi classificada pela entidade como um ato de agressão à atividade jornalística. Após o episódio, houve ainda tentativa de retirada das equipes de imprensa do ginásio onde ocorria o velório.

Outro ponto destacado na nota envolve a coação sofrida por uma equipe que apurava informações relacionadas a uma nota oficial da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O comunicado do órgão federal apontava a falta de documentação obrigatória do ônibus envolvido no acidente, informação de claro interesse público. Segundo o sindicato, os jornalistas foram cercados por assessores do município enquanto tentavam gravar a reportagem, em uma ação sem justificativa plausível até o momento.

O Sindjornal ressalta que reconhece a dor dos familiares e amigos das vítimas e a sensibilidade do momento, mas reforça que o acidente transcende o âmbito privado e se insere no debate público, sobretudo diante de indícios de irregularidades que podem ter contribuído para a tragédia. Para a entidade, cabe à imprensa informar, contextualizar e colaborar para que os fatos sejam devidamente esclarecidos pelas autoridades competentes.

Na avaliação do sindicato, as atitudes relatadas são incompatíveis com o Estado Democrático de Direito e configuram não apenas desrespeito aos profissionais de comunicação, mas uma afronta direta ao direito da sociedade de ser informada. Ao tentar restringir a cobertura jornalística, o poder público fragiliza a transparência institucional e amplia desconfianças em um momento que exige responsabilidade e prestação de contas.

Ao final da nota, o Sindjornal reafirma seu compromisso com a defesa da democracia, da liberdade de imprensa e do exercício pleno da atividade jornalística, deixando claro que não aceitará agressões ou impedimentos ao trabalho dos jornalistas em Alagoas.

Leia a nota na íntegra

O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas vem repudiar a forma como o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, orientou sua equipe no atendimento à imprensa no velório das vítimas do capotamento do ônibus de romeiros, muitos deles moradores do município. Em meio ao luto que consternou toda Alagoas, lamentavelmente vários colegas foram surpreendidos com intimidações, ameaças e tentativas de silenciamento em muitos momentos dessa cobertura.

A situação chegou a tal ponto que o secretário municipal de Cultura colocou a mão em uma câmera de TV durante um “ao vivo”, insinuando que o prefeito tinha “mandado acabar com a transmissão”. A cena constrangeu até mesmo os telespectadores, que ficaram sem entender o motivo. Um ato de agressão reprovado por toda a nossa categoria. Depois disso, tentaram retirar os jornalistas do ginásio.

Outro momento foi a coação de uma equipe de jornalistas que tentava gravar uma reportagem sobre a nota da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que confirmava a falta de documentação necessária do ônibus que transportava os romeiros. Eles foram cercados por assessores do município, em um ato até agora sem explicação.

O Sindjornal reafirma sua solidariedade com os familiares e amigos das vítimas desse trágico acidente e entende o quão sensível é esse momento para essas pessoas, mas ressalta que o acidente é um fato de interesse público, que chocou não só a Alagoas, mas também todo o Brasil. É preciso sempre lembrar que a imprensa tem papel fundamental neste momento para apresentar detalhes e contribuir para a investigação dos fatos.

Não aceitaremos que os jornalistas de Alagoas sejam agredidos ou impedidos de realizar suas funções constitucionais, pois somos defensores da democracia, de uma imprensa livre e sempre sem censura. Seguiremos cumprindo o nosso papel e esperando que tais episódios não voltem a se repetir.

DIRETORIA DO SINDJORNAL

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