por Redação do Interior
A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. A medida, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é equivalente à prisão para adultos devido à gravidade do ato infracional.
O caso, que mobilizou moradores e ganhou repercussão nacional, ocorreu na madrugada de 4 de janeiro. O cão, muito conhecido na comunidade local e sem tutor fixo, sofreu uma agressão com objeto contundente ou chute na cabeça, foi levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.
A investigação foi conduzida por duas unidades especializadas: a DEACLE (Delegacia de Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei) e a Delegacia de Proteção Animal, com apoio de uma força-tarefa. Foram analisadas mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança e colhidos depoimentos de 24 testemunhas.
Segundo o delegado Renan Balbino, a apuração revelou contradições no depoimento do adolescente.
“As imagens mostram que ele saiu do condomínio às 5h25 da manhã e retornou às 5h58 acompanhado de uma amiga. Ele havia afirmado que permaneceu o tempo todo dentro do condomínio, na piscina, desconhecendo que a polícia possuía registros de sua saída. Roupas, testemunhas e registros confirmam que ele esteve na praia”, detalhou o delegado.
Além de Orelha, outro cão chamado Caramelo foi alvo de agressão, mas conseguiu escapar. Pelo caso, a polícia fez representação contra quatro adolescentes por maus-tratos. Três adultos também foram indiciados por coação de testemunha, por tentarem intimidar pessoas que colaboraram com a investigação.
A defesa do adolescente emitiu nota alegando que as informações divulgadas são “meramente circunstanciais, não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas”. O texto critica a “politização do caso” e afirma que a exposição pública prejudica a verdade e os direitos do adolescente.
Os nomes, idades e localização dos envolvidos não foram divulgados, conforme prevê o ECA, que garante sigilo absoluto em procedimentos envolvendo menores de 18 anos.
