por Redação do Interior
A residência de uma babá suspeita de ter agredido fisicamente um menino com Transtorno do Espectro Autista (TEA), não-verbal e com suporte 3, foi cercada por um grupo de moradores em Arapiraca, no Agreste alagoano, após denúncias sobre o caso ganharem repercussão nas redes sociais. O episódio ocorreu na quinta-feira (30) e levou a Polícia Militar a ser acionada para garantir a segurança da mulher.
Segundo informações dos militares, uma equipe foi enviada à residência após relatos de que a babá poderia ser alvo de agressões. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram manifestantes concentrados em frente à casa, onde a suspeita estava abrigada na residência de familiares por temor de violência. Ainda de acordo com a PM, os manifestantes não tinham qualquer ligação direta com o caso. Todos foram encaminhados à Central de Flagrantes, mas não houve lavratura de termo circunstanciado por ameaça, já que a babá não conseguiu identificar possíveis autores das agressões, apenas ouviu gritos vindos de fora da residência.
O caso ganhou visibilidade depois que um vídeo publicado no Instagram por uma tia da criança trouxe novas denúncias. Nas imagens, a mulher afirma que o sobrinho teria sido espancado e que vizinhos teriam registrado a babá obrigando o menino a ingerir material fecal. A tia ainda ressaltou que a criança não verbaliza nem interage de forma usual, o que torna a situação ainda mais grave.
Em resposta, o Ministério Público de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria da Infância e da Juventude, instaurou procedimento preliminar para investigar a suspeita de maus-tratos. De acordo com informações do MPAL, a promotora de Justiça Viviane Farias acionou o Conselho Tutelar e manteve diálogo com a Polícia Civil para adoção de todas as medidas cabíveis, incluindo a abertura de inquérito para apurar responsabilidades.
“É necessária uma investigação rigorosa para responsabilizar os envolvidos. Não podemos permitir que uma criança com limitações no neurodesenvolvimento seja submetida a atos de violência. O Ministério Público já adotou as providências iniciais e seguirá acompanhando as investigações”, afirmou a promotora.
Ela reforçou ainda que a população deve procurar as autoridades competentes ao identificar crimes ou violação de direitos, em vez de se limitar às redes sociais.
