por Redação do Interior
A médica Nádia Tamyres Silva Lima, que responde em liberdade pelo assassinato do ex-marido, o também médico Alan Carlos de Lima Cavalcante, tenta na Justiça reaver a guarda da filha do casal, atualmente sob responsabilidade da avó paterna. A criança passou a viver com familiares do pai desde o crime, ocorrido em novembro de 2025, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas.
Mesmo após ter a prisão preventiva revogada e permanecer em liberdade por decisão judicial, Nádia segue impedida de manter qualquer contato ou aproximação com a filha, por determinação da Justiça alagoana. A guarda provisória foi concedida à avó paterna, enquanto ações relacionadas ao contexto familiar seguem em análise nas varas competentes.
A defesa da médica sustenta que a manutenção da medida representa uma restrição desproporcional, já que não há acusações de violência ou risco envolvendo a criança. Familiares maternos chegaram a ingressar com pedidos formais para assumir a guarda definitiva, apresentando laudos técnicos e documentos à Justiça, mas as solicitações não foram acolhidas até o momento.
O debate ganhou novo fôlego após manifestações públicas da defesa, que reforça o argumento de que, embora a Justiça tenha reconhecido não haver risco à coletividade no âmbito criminal, a médica segue privada do convívio com a filha. Para os advogados, não existe previsão legal automática que determine a perda da guarda quando o crime não tem relação direta com o menor, o que motiva a adoção de novas medidas judiciais para restabelecer o vínculo materno.
O homicídio que deu origem ao processo ocorreu em 16 de novembro de 2025, em frente a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada no Sítio Capim, na zona rural de Arapiraca. Nádia foi flagrada efetuando disparos contra o ex-marido, que estava dentro de um veículo. Imagens que circularam nas redes sociais logo após o crime ampliaram a repercussão do caso.
Após o assassinato, a médica foi localizada e presa em Maceió, ainda em posse da arma utilizada. A defesa alegou legítima defesa, tese posteriormente descartada pela Polícia Civil, após análise de vídeos, perícias e outros elementos reunidos no inquérito. Com a conclusão da investigação, Nádia foi indiciada por homicídio qualificado, e a ação penal segue em tramitação.
Cerca de 30 dias após o crime, uma decisão liminar concedida em habeas corpus revogou a prisão preventiva. O entendimento do Tribunal de Justiça de Alagoas foi de que a manutenção da custódia seria desproporcional, diante da ausência de risco à ordem pública ou ao andamento do processo. A médica passou, então, a responder à ação penal em liberdade, sob medidas cautelares, incluindo a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
A revogação da prisão também permitiu o retorno de Nádia Tamyres ao exercício da medicina. Ela voltou a atuar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Emergência do Agreste (HEA), onde é contratada desde 2021.
Enquanto o processo criminal avança, a disputa pela guarda da criança segue como um dos pontos mais sensíveis do caso. A Justiça mantém, até o momento, a separação entre mãe e filha, enquanto avalia os desdobramentos familiares e o melhor interesse da menor. A defesa afirma que continuará recorrendo às instâncias judiciais para tentar restabelecer o convívio, paralelamente ao andamento da ação penal, que ainda não tem data para julgamento.
