por Redação do Interior
O depoimento prestado por Symeone Batista dos Santos à Polícia Civil trouxe novos detalhes sobre a execução de Johanisson Carlos Lima Costa, o Joba, supervisor das categorias de base do Clube de Regatas Brasil (CRB). Preso no dia do crime, Symeone relatou como teria participado do planejamento do homicídio, que, segundo ele, foi encomendado por um homem identificado como Juan, posteriormente identificado pela polícia como Ruan.
Conforme o relato, o primeiro contato entre os dois ocorreu no fim de 2025, quando o suposto mandante teria questionado se Symeone teria coragem de matar alguém por vingança. Ele afirma que recusou a proposta, mas indicou um terceiro homem, conhecido como “Gordinho”, para executar o crime.
Dinâmica do crime
Symeone declarou que o valor acordado para a execução foi de R$ 10 mil, quantia que seria dividida entre ele e o atirador. Sua função seria conduzir a motocicleta utilizada para levar o executor até o local do crime e auxiliar na fuga após os disparos.
Segundo o depoimento, a vítima foi identificada a partir de uma fotografia enviada pelo mandante em modo de visualização única. Para preservar a imagem, o atirador teria fotografado a tela com outro aparelho celular.
Ainda de acordo com o suspeito, data, horário e local do assassinato foram definidos pelo mandante, com orientações repassadas principalmente por ligações via WhatsApp. O grupo evitava o envio de mensagens de áudio ou texto para reduzir registros.
Symeone relatou que recebeu R$ 4 mil como pagamento antecipado, entregue na terça-feira que antecedeu o crime, nas proximidades de uma farmácia no bairro Santa Lúcia. O restante do valor seria pago após a execução. Ele afirmou que decidiu colaborar com as investigações porque, segundo suas palavras, a “consciência pesou”.
Crime e investigações
O assassinato ocorreu na manhã da sexta-feira, 23 de janeiro, no bairro Santa Lúcia, em Maceió. Joba aguardava transporte para o trabalho quando foi atingido por disparos de arma de fogo. Symeone foi preso no mesmo dia e, conforme a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), forneceu informações que permitiram avançar na identificação dos demais envolvidos.
Após os desdobramentos da investigação, o autor dos disparos e outros dois cúmplices foram localizados em uma operação policial. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), os suspeitos reagiram à abordagem, houve troca de tiros e os três acabaram baleados. Eles foram socorridos, mas não resistiram aos ferimentos.
Morreram durante a ação Raul Silva de Melo, de 27 anos, José Cícero Aprígio da Silva, também de 27, e Ana Tássia da Silva Santos, de 28 anos.
Symeone passou por audiência de custódia, quando a Justiça converteu sua prisão em flagrante em prisão preventiva.
Mandante se apresenta à polícia
Na noite da segunda-feira (26), o homem apontado como mandante do crime, identificado como Ruan, se apresentou espontaneamente à Polícia Civil em Maceió, acompanhado de advogado. Contra ele havia mandado de prisão em aberto.
Após os procedimentos legais e a realização de exame de corpo de delito, Ruan recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Central de Flagrantes. Ele participa, na manhã desta terça-feira (27), de audiência de custódia no Fórum do Barro Duro, onde a Justiça irá analisar a legalidade da prisão e a eventual manutenção da medida preventiva.
O advogado Napoleão Lima Júnior, que representa Ruan, informou que a apresentação à polícia teve como objetivo colaborar com os esclarecimentos do caso. A defesa sustenta que o investigado nega qualquer participação no planejamento ou na execução do homicídio, afirmando não haver provas de que tenha financiado ou ordenado o crime.
A Polícia Civil, por sua vez, aponta motivação passional. As investigações indicam que Joba estaria reatando um relacionamento com uma mulher que havia sido companheira de Ruan. Inconformado, o suspeito teria agido por ciúmes e vingança, ordenando a morte do supervisor do CRB.
