*Manoel Ferreira Lira morrosanro@gmail.com
Sem dúvida alguma, os festejos religiosos durante quase todo o mês de janeiro e que culmina com uma procissão no dia dois de fevereiro e que percorre diversas ruas de Arapiraca está arraigado em sua história. O louvor à santa, Nossa Senhora do Bom Conselho, cuja igreja foi abençoada em 2 de fevereiro de 1865 pelo padre Otávio Oliveira, de São Brás, concretizou a obra concluída um ano antes.
Mas, qual o motivo de alguns arapiraquenses percorrerem um inóspito caminho entre veredas da cidade de Bom Conselho até Arapiraca?
Quem já teve o prazer de ler o livro REGISTRO DE FAMÍLIA, da médica Maria Julita Palmeira Rodrigues, editado em Brasília em 2020, conhece a história.
Conta ela: “Em 1859, Manoel André começou a construção de uma igreja no local de sepultura da primeira esposa, … A igreja foi construída parte em alvenaria e parte em madeira. Os tijolos foram feitos no mesmo local, assim como as telhas. O massapê era bom e foi utilizado por todos seus herdeiros até meados de 1940. Essa construção foi concluída em 1864.
“A imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho foi encomendada em Penedo, a uma firma da Bahia, mas, a entrega da mesma se deu na cidade de Bom Conselho. Meu tetravô Manoel André, muito devoto de Nossa Senhora, fez questão de trazer a imagem, a pé, nos ombros.
“A benção da capela se deu em 2 de fevereiro de 1865. Com muita dificuldade, Manoel André conseguiu a vinda do Padre Otavio Oliveira, através de São Brás, para celebrar a primeira missa e a bênção da capela… Após o ato religioso, o Padre Otavio exortou a fé de Manoel André e lhe deu orientação no sentido de que fosse feita uma doação de terras a Nossa Senhora do Bom Conselho.
“Consta em cartório essa doação que vai da igreja antiga de N.S.do Bom Conselho até a rua Aníbal Lima, Arapiraca-Alagoas”.
Esta história foi repassada a autora por seu pai, o juiz Nelson Rodrigues Correia: muita pesquisa entre familiares e documentos cartorários, entre eles o Cartório de Registro Civil de Limoeiro de Anadia. O juiz Nelson Rodrigues Correia era trineto de Manoel André Correia dos Santos, o fundador de Arapiraca.
Na petição de inventário de Manoel André Correia dos Santos (que morreu em 1891) feita ao juiz municipal de Limoeiro está:
“A viúva e os filhos de Manoel André Correia dos Santos pedem ao cidadão Juiz Municipal de Limoeiro o Inventário dos bens deixados por seu marido e pai, conforme os documentos apresentados
“Viúva Luísa Maria da Paixão
. Filhos:
- 1 – Vicente Pereira da Silva,
- 2 – José Inácio Correia da Silva,
- 3 – Florêncio Apolinário da Silva,
- 4 – Maria Rosa da Silva, casada com Lúcio Roberto da Silva,
- 5 – Fausto Correia dos Santos,
- 6 – Belarmino Correia dos Santos,
- 7 – Josefa Maria da Conceição, casada com José Nunes de Magalhães,
- 8 – Umbelina Rosa da Silva, casada com Azarias Pereira da Silva.
“Nestes termos pedem deferimento
“Limoeiro, 21 de março de 1891”
Hoje, e já por quase trinta anos, a Associação dos Criadores de Cavalos de Sela de Arapiraca (ACESA), realiza o percurso que Manoel André, pagando promessa, fez de Bom Conselho a igrejinha que construiu nas terras sombreadas por arapiracas: cavaleiros trazem a imagem primeira de Nossa Senhora do Bom Conselho pelos municípios de Bom Conselho e Rainha Isabel (Pe), Palmeira dos Índios, Igaci e Arapiraca (Al).
*Jornalista
