por Redação do Interior
No centro das investigações sobre um dos maiores escândalos de fraudes previdenciárias em curso no país, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) tornou público, nesta quarta-feira (14), o nome de igrejas e líderes evangélicos relacionados a pedidos de convocação ou de quebra de sigilo fiscal e bancário aprovados no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A divulgação veio após a reação pública e crítica do pastor Silas Malafaia, que desafiou a parlamentar a apresentar nomes ou provas das associações levantadas.
Investigação bilionária e o papel da CPMI
Instalada em 2025, a CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apura um esquema de fraudes em descontos indevidos e oferta irregular de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas — irregularidades que, segundo parlamentares, teriam resultado em prejuízos bilionários e atingido milhares de beneficiários em todo o país.
O colegiado analisa milhares de documentos, relatórios fiscais e de inteligência financeira, além de aprovar requisições de quebra de sigilo, convites e convocações para depoimentos de pessoas físicas e jurídicas relacionadas às investigações.
Relatórios preliminares e depoimentos já mostraram a complexidade do esquema, que envolve empresas, associações de aposentados e, agora, nomes ligados a instituições religiosas — fato que ampliou o debate público sobre a extensão e ramificações do escândalo.
A lista divulgada por Damares
Damares Alves afirmou em nota que os requerimentos divulgados “constam em documentos oficiais, já aprovados pela comissão e baseados em indícios concretos”, como Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e informações da Receita Federal.
Entre as entidades religiosas citadas que tiveram pedidos de transferência de sigilo aprovados estão:
- Adoração Church
- Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo
- Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch)
- Igreja Evangélica Campo de Anatote
A senadora também incluiu em sua publicação nomes de líderes religiosos em requerimentos de convocação, convite para depoimento ou pedidos de quebra de sigilo:
- André Machado Valadão
- César Bellucci do Nascimento
- Péricles Albino Gonçalves
- Fabiano Campos Zettel
- André Fernandes
Damares ressaltou que a possível participação de igrejas ou líderes religiosos em fraudes contra aposentados causa “desconforto e tristeza”, mas que a CPMI tem a obrigação de investigar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental.
Reação de Silas Malafaia
O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, reagiu com veemência nas redes sociais, classificando a senadora como “linguaruda” e exigindo a apresentação de provas e nomes específicos.
Malafaia acusou Damares de fazer “acusações infundadas” ao falar em “grandes igrejas” e “líderes renomados” sem identificar publicamente as pessoas e instituições envolvidas, argumentando que isso poderia denegrir a imagem da Igreja Evangélica como um todo.
Em nova postagem, ele reiterou o desafio à parlamentar e criticou a forma como a divulgação foi conduzida, reforçando que o escopo e a extensão das alegações ainda precisam ser esclarecidos com documentos e explicações detalhadas.
Contexto mais amplo do escândalo
A CPMI do INSS procura traçar o que parlamentares descrevem como um esquema de fraude em larga escala, envolvendo desde descontos indevidos até movimentações financeiras incompatíveis com a situação econômica de beneficiários e possíveis intermediários.
Testemunhos e relatórios internos apontam para milhares de documentos analisados, dezenas de quebras de sigilo e pedidos de informação, além de movimentações suspeitas em empresas e associações. Alguns investigados já foram ouvidos, e há debates sobre a necessidade de prorrogar os trabalhos da comissão para além do prazo inicial, previsto para março de 2026.
Até o momento, não há condenações judiciais decorrentes desses pedidos da CPMI — tratam-se de investigações em andamento que ainda precisam ser aprofundadas.
