por Redação do Interior
Alagoas encerrou 2025 com um recorde histórico de abertura de empresas, mas os dados oficiais revelam um cenário que vai além do otimismo imediato e exigem uma leitura mais cuidadosa sobre a sustentabilidade do crescimento econômico no estado. Segundo informações da Junta Comercial do Estado de Alagoas (Juceal), foram 45.660 novos empreendimentos constituídos ao longo do ano, número 23,44% superior ao registrado em 2024 e acima do antigo recorde de 2021.
O volume expressivo indica um ambiente favorável à formalização e à iniciativa privada, impulsionado por políticas de desburocratização, incentivos fiscais e melhorias logísticas apontadas pelo governo estadual. No entanto, a própria composição desses números revela limites estruturais. Mais de 34 mil registros são de microempreendedores individuais (MEIs), modalidade que, embora fundamental para geração de renda e inclusão produtiva, também expõe a fragilidade de boa parte da base empresarial alagoana, marcada por baixo capital, informalidade prévia e alta rotatividade.

Esse diagnóstico se confirma quando se observa o outro lado da estatística. Ainda de acordo com a Juceal, 26.380 empresas foram extintas em 2025, sendo quase 19 mil delas MEIs. O dado sugere que o ritmo acelerado de aberturas não é acompanhado, na mesma proporção, pela capacidade de permanência dos negócios no mercado. Setores como comércio, transporte e alimentação — os mesmos que lideram as constituições — também concentram os maiores índices de fechamento, evidenciando um ciclo de alta entrada e alta saída.
Há, contudo, sinais positivos que merecem destaque. O crescimento mais robusto das microempresas (MEs) e das empresas de pequeno porte (EPPs), sobretudo quando comparado a 2021, aponta para um avanço gradual na estrutura produtiva do estado. A expansão de atividades ligadas à construção civil, serviços técnicos, saúde e indústria de transformação reforça uma diversificação econômica que pode reduzir a dependência de setores historicamente mais vulneráveis.
Outro elemento relevante dos dados da Juceal é a interiorização e a expansão interestadual dos negócios alagoanos, com abertura de filiais em estados como Pernambuco, Bahia e São Paulo. Esse movimento indica maior integração econômica e competitividade, ainda que restrita a um grupo menor de empresas com maior capacidade financeira.
O balanço de 2025, portanto, apresenta um paradoxo. Alagoas vive um momento de efervescência empreendedora, mas enfrenta o desafio de transformar quantidade em qualidade. O recorde de aberturas, embora simbólico, não garante por si só desenvolvimento sustentável. Sem políticas estruturantes voltadas à sobrevivência dos pequenos negócios — como acesso a crédito, capacitação gerencial e estímulo à inovação — o estado corre o risco de manter um crescimento estatístico, porém instável.
Os rankings municipais que serão divulgados pela Juceal devem ajudar a entender como esse fenômeno se distribui territorialmente. Mais do que celebrar números, o desafio agora é avaliar se o ambiente econômico alagoano está preparado para sustentar, no longo prazo, o entusiasmo empreendedor que os dados de 2025 revelam.
