por Professor Dr. Cláudio Jorge
Elinaldo Barros foi um alagoano apaixonado pelo cinema. Ele escrevia e comentava os filmes em Maceió. Tive a satisfação de trabalhar com ele no curso de Comunicação Social, onde ele lecionava a disciplina de Cinema.
Nosso cotidiano era dialogar sobre as principais janelas do cinema mundial e nacional. No entanto, ele era bastante atento ao cinema pernambucano e citava Celso Marconi, autor do livro Cinema: uma panorâmica, e os livros de Alexandre Figuerôa, Cinema pernambucano: uma história em ciclos e Super 8, entre outros.
Na ocasião, apresentei o meu livro sobre o Cinema em Pernambuco, que analisava os aspectos históricos e ideológicos da educação no período de Getúlio Vargas, em especial na ditadura do governo de Agamenon Magalhães em Pernambuco. Elinaldo já havia traçado o itinerário do cinema alagoano durante os nossos diálogos, que ele fazia com maestria desde os primórdios dos filmes alagoanos, e acaba lançando o livro: Panorama do cinema Alagoano.
Na verdade, o que mais era enfatizado nas nossas conversas cinematográficas foi o sentido local da produção, ou seja, a compreensão de que o universal tem como base o local, onde transita a alagoanidade ou a pernambucanidade.
Não poderia deixar de comentar a conquista do Globo de Ouro com o filme : Agente Secreto, de Kleber Mendonça, com a belíssima e competente participação do ator Wagner Moura. Foi um momento para relembrar os nossos diálogos, que apontavam o cinema como uma janela atemporal que remete ao conceito de experiência em Walter Benjamin.
Diante do bombardeamento tecnológico, Kleber Mendonça faz uma imersão na memória do Recife da década de 1970 e mostra ao mundo, pelas lentes do cinema, que estamos necessitando de experiências humanas e vivenciáveis. Como dizia o meu eterno cineasta Elinaldo Barros: “Isso é coisa de cinema!”
