Por Redação do Interior
O governo federal caminha para encerrar o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o que pode se tornar o maior ciclo de investimentos em infraestrutura da história recente do país. A avaliação é do ministro dos Transportes, Renan Filho, que detalhou, em entrevista ao programa A Voz do Brasil, o volume de recursos, obras e concessões realizadas desde 2023 e as projeções até 2026.
Segundo o ministro, a expectativa é concluir até o próximo ano cerca de R$ 400 bilhões em investimentos contratados em rodovias, ferrovias e projetos de mobilidade, combinando recursos públicos e parcerias com a iniciativa privada. Apenas nos três primeiros anos do atual governo, já foram realizados 22 leilões de concessões, número quase quatro vezes superior ao registrado entre 2019 e 2022, quando ocorreram seis certames. A meta oficial é chegar a 36 concessões até o fim de 2026.
Concessões e investimento privado
Renan Filho ressaltou que os leilões de concessão são uma estratégia central para viabilizar grandes obras de infraestrutura em um país com restrições fiscais. Ao transferir a administração de rodovias estratégicas à iniciativa privada, o governo busca acelerar duplicações, melhorias urbanas, iluminação, sinalização e a implantação de pontos de parada e descanso para caminhoneiros — estrutura que historicamente foi negligenciada no Brasil.
De acordo com o ministro, os 22 leilões já realizados atraíram R$ 240 bilhões em novos contratos, voltados principalmente à ampliação e modernização da malha rodoviária. Ele destacou ainda ajustes tarifários que, segundo o governo, buscam equilibrar o custo para o usuário comum e o transporte de cargas, principal responsável pelo desgaste das estradas.
“O país não tem recursos para fazer tudo sozinho. Quando o investimento privado entra, ele gera emprego, melhora a estrada e impulsiona outros investimentos. Isso cria um ciclo virtuoso”, afirmou.
Obras públicas retomadas em todo o país
Além das concessões, o Ministério dos Transportes ampliou significativamente o investimento direto da União. Enquanto o governo anterior aplicava, em média, R$ 6 bilhões por ano em rodovias, o valor atual gira em torno de R$ 15 bilhões anuais, segundo Renan Filho.
Entre as obras citadas estão a ponte entre Xambioá (TO) e São Geraldo do Araguaia (PA), duplicações da BR-116 no Ceará, BR-304 no Rio Grande do Norte, BR-230 na Paraíba, além de intervenções relevantes em Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Mato Grosso e Maranhão.
No Nordeste, o ministro destacou projetos estruturantes como a duplicação da BR-101 em Alagoas, a construção da ponte entre Penedo (AL) e Neópolis (SE), a duplicação da BR-104 e os arcos metropolitanos de Recife e Maceió — obras que impactam diretamente a logística, o turismo e a mobilidade urbana.
Avanço ferroviário e geração de empregos
Um dos eixos centrais da atual política de transportes é a retomada dos investimentos ferroviários. Renan Filho afirmou que o Brasil vive uma máxima histórica de investimentos no setor, com obras em andamento e concessões renovadas.
Duas frentes se destacam: a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e a Transnordestina, que juntas empregam cerca de 15 mil trabalhadores. Além disso, o governo avança na construção de ferrovias por autorização no Mato Grosso, concluiu trechos da Norte-Sul e planeja novos leilões em 2026, incluindo a Ferrogrão, a Ferrovia 118 e o Anel Ferroviário de São Paulo.
Neste último caso, o objetivo é retirar o tráfego ferroviário de cargas do centro da capital paulista, reduzindo conflitos urbanos e melhorando a mobilidade e o ordenamento da cidade.
CNH mais barata e impacto social
Outro ponto destacado pelo ministro foi o lançamento da CNH do Brasil, que promete reduzir em até 80% o custo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. A medida busca enfrentar um problema estrutural: cerca de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação, em grande parte devido ao alto custo e à burocracia do processo.
Segundo Renan Filho, a nova CNH pode ter impacto direto na formalização de trabalhadores, na segurança viária e no acesso ao mercado de trabalho.
“Tirar uma CNH significa também a possibilidade de arrumar um emprego melhor. É uma política de mobilidade, mas também de inclusão social”, afirmou.
2026 como ano decisivo
Para o ministro, 2026 será o ano de maior volume de entregas do atual governo, resultado da retomada de obras paradas e da maturação dos projetos iniciados nos primeiros anos da gestão Lula. A avaliação é que o investimento em infraestrutura tem papel central no crescimento econômico, na geração de empregos e no fortalecimento das exportações.
Os números apresentados pelo Ministério dos Transportes indicam uma inflexão relevante na política de infraestrutura, após anos de baixo investimento e paralisações.
Se as projeções se confirmarem, o governo Lula poderá encerrar o mandato com um legado robusto no setor — um fator decisivo tanto para a economia quanto para o debate político que se intensificará ao longo de 2026.
