Por Redação do Interior
A malha rodoviária de Alagoas figura entre as melhores do Nordeste e se aproxima do desempenho de estados historicamente bem avaliados em infraestrutura viária, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, principal levantamento nacional sobre a qualidade das estradas brasileiras. Os dados colocam o estado em posição acima da média regional e nacional, especialmente pela baixa incidência de trechos em condições críticas.
De acordo com o estudo, 47,2% das rodovias avaliadas em Alagoas foram classificadas como ótimas ou boas, enquanto 49,9% aparecem como regulares. Apenas 2,9% dos trechos foram considerados ruins e nenhum segmento recebeu a classificação de péssimo — um resultado incomum no cenário nacional, onde a deterioração da malha viária ainda é um problema estrutural.
O desempenho ganha relevância quando comparado ao quadro geral do país. Em nível nacional, menos de 40% das rodovias avaliadas pela CNT atingem o patamar de ótimo ou bom, enquanto mais de 60% permanecem entre regular, ruim ou péssimo. Em estados do próprio Nordeste, como Maranhão, Bahia e Paraíba, os percentuais de trechos degradados são significativamente superiores aos registrados em Alagoas, o que evidencia uma diferença concreta na política de manutenção das estradas.
Na prática, a baixa presença de rodovias em más condições tem impacto direto na segurança viária, na redução de custos logísticos e na qualidade do deslocamento de pessoas e mercadorias. Estradas bem conservadas reduzem acidentes, diminuem o desgaste de veículos e favorecem o turismo e o escoamento da produção, setores estratégicos para a economia alagoana.
O levantamento também desmonta um argumento recorrente no debate sobre infraestrutura no Brasil: o de que estradas de qualidade só são possíveis com pedágios. O caso de Alagoas indica que, quando o poder público prioriza planejamento, manutenção contínua e uso eficiente dos recursos, é possível manter rodovias em boas condições sem transferir o custo diretamente para o cidadão.
Isso não elimina os desafios. O elevado percentual de trechos classificados como regulares sinaliza a necessidade de atenção permanente. Sem manutenção sistemática, essas rodovias podem se deteriorar rapidamente, elevando os custos futuros de recuperação. Ainda assim, o cenário atual mostra que o estado conseguiu evitar o avanço da degradação, algo que muitos entes federativos não conseguiram fazer.
O retrato traçado pela Pesquisa CNT de Rodovias 2025 consolida Alagoas como exemplo regional de gestão da infraestrutura viária, reforçando que a qualidade das estradas está menos ligada à cobrança de pedágios e mais à vontade política, à gestão eficiente e à continuidade dos investimentos públicos.
O desafio, daqui para frente, é transformar esse desempenho positivo em política de Estado, ampliando a proporção de rodovias em condições ótimas e garantindo que o direito de ir e vir com segurança não dependa do bolso do usuário.
