Por Redação do Interior com Raphael Di Cunto Folha de S Paulo
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, uma votação relâmpago, com duração de menos de 10 segundos, realizada às vésperas do recesso parlamentar na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, resultou no cancelamento de R$ 90,2 milhões em emendas apresentadas por 67 deputados. A revelação causou revolta entre parlamentares e forçou a convocação, às pressas, de uma sessão na segunda-feira (22) para tentar revogar o ato, quando o Congresso já estava praticamente em recesso após a votação do Orçamento.
De acordo com a Folha, o remanejamento dos recursos favoreceu diretamente o deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), líder do MDB na Câmara, que passou a concentrar R$ 30 milhões em novas indicações, dinheiro originalmente destinado a parlamentares de outros partidos.
A manobra foi conduzida pelo presidente da comissão, Yury do Paredão (MDB-CE), que também se beneficiou ao direcionar R$ 44,5 milhões para municípios do Ceará, sua base eleitoral. Ainda segundo a Folha de S.Paulo, outros dirigentes do MDB, como o presidente nacional do partido, Baleia Rossi (SP), também foram contemplados.
Após a repercussão negativa, Yury do Paredão afirmou à Folha que o cancelamento das emendas teria ocorrido por um “erro da assessoria”, alegando confusão entre listas da comissão e da liderança do MDB. A ata da reunião, segundo ele, deverá ser considerada inválida.
A reportagem da Folha também revela que o episódio expôs o baixo controle interno sobre as emendas de comissão. As indicações são votadas em segundos, sem debate, e muitos deputados não têm conhecimento prévio das listas de obras, cidades e projetos beneficiados. Mesmo aprovadas, essas emendas ainda dependem da decisão do Executivo, que pode executá-las ou ignorá-las.
O caso, conforme destaca a Folha de S.Paulo, amplia as críticas à falta de transparência e ao uso político do Orçamento, colocando Isnaldo Bulhões no centro de uma controvérsia que escancara as fragilidades do controle sobre verbas milionárias no Congresso Nacional.
