A igreja da memória

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*Manoel Ferreira Lira morrosanto@gmail.com

No meu livro A Casa do Santo (ainda não publicado e que trata da tentativa de usucapião da igrejinha da praça Marques da Silva, Arapiraca), conto a história desta igreja centenária (aliás, completou 120 anos de construída agora em 2025), que, no momento, tenta-se dar-lhe o título de patrimônio imaterial do Estado. A isto, junta-se a deferência já concedida pelo município de Arapiraca ao templo em homenagem a São Sebastião com seu tombamento através da Lei Municipal 2.385/2005, Título X, Art. 213, conhecida como Lei Orgânica do Município de Arapiraca – “São considerados patrimônio histórico de Arapiraca, a Igreja São Sebastião, a Igreja do Santíssimo Sacramento na Praça Manoel André, o prédio onde funciona a Câmara Municipal de Arapiraca, o prédio onde funciona a Secretaria de Finanças do Município, o Grupo Escolar Adriano Jorge e a casa onde viveu Manoel Leão, na rua do mesmo nome”.

Agora, a deputada estadual Cibele Moura tenta aprovar na Assembléia Legislativa projeto de lei transformando a igreja em patrimônio imaterial do Estado de Alagoas, homenageando sua memória, a história de Arapiraca, sua crença e de seu povo. Diz a parlamentar na justificativa de seu projeto: “Precisamos reconhecer de onde viemos para saber onde queremos chegar. Esta igrejinha merece o título de patrimônio, para que seja preservada e cuidada, mantendo viva a história de Arapiraca.” Disse mais: “Algumas histórias simplesmente precisam ser lembradas. Este projeto honra Arapiraca e tudo que ela representa.”

Maria Lima de Oliveira, primeira vereadora de Arapiraca (1936/1937) foi administradora da igreja por mais de 50 anos, e mãe de Lourdes Lima, segunda administradora, devem estar felizes com a transformação do templo em patrimônio de Arapiraca. Onde quer que estejam!

Independentemente dos títulos municipal e estadual, o cristão nascido e migrado para a terra arapiraquense carrega fatos em sua memória ligando povo e religiosidade.

Vale aqui trazer à memória: em frente de sua Igreja, São Sebastião presenciou de tudo: de festa em seu louvor (nela, as comemorações são em dezembro, para não misturar com a feta da padroeira Nossa Senhora do bom Conselho); lá, os homens a construíram para se livrar de uma epidemia (ano de 1904); lá, aos olhos de São Sebastião, assassinaram o deputado Marques da Silva; lá, está enterrado o primeiro padre a rezar uma missa em sua dependência (padre Epitácio Rodrigues; lá, o zabumba Os Ambrósios (grupo quilombola) tocava durante os festejos em homenagem ao santo; lá, Toinho Cavalcante e Lourenço Chaves agiam como leiloeiros oficiais de suas festas; lá, antigos alunos (Manoel Lira, Elionaldo Magalhães, Everaldo Barros, Eraldo Barros, Luís Carlos Duarte, José Cícero Sarmento) gerente do Produban) sempre se reuniam a tardinha para “botar conversa fora”.

Sempre preocupado com a história e sua manifestação, o historiador e folclorista Zezito Guedes, assim se manifestou acerca da Igreja de São Sebastião: “atualmente, para que a romântica igrejinha alcance a posteridade, torna-se imprescindível a proteção do poder público, no sentido de preservar o templo, tombando-o como patrimônio de utilidade pública. Só assim se poderá salvar o imóvel da especulação imobiliária e consequente destruição” (do livro ARAPIRACA ATRAVÉS DO TEMPO, 2ª edição, 2020).

José Zeferino Magalhães e sua mulher Maria América Cavalcante Magalhães, que cederam o terreno para erguer a igreja devem estar felizes!

O pedreiro Antônio Marroquim, que foi o mestre da obra, deve estar a esbanjar alegria!Padre Epitácio Rodrigues, cujo corpo ali estar sepultado, é um sorriso só!

São Sebastião agradece!

*Jornalista

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