Por Redação do Interior
A mais recente pesquisa do PoderData, realizada entre 13 e 15 de dezembro de 2025, revela um cenário ambíguo no Brasil ao fim do ano. De um lado, há sinais de alívio na percepção da inflação, avanço do otimismo econômico e uma leve melhora na capacidade de planejamento financeiro das famílias. De outro, os dados expõem fragilidades estruturais persistentes e um desgaste institucional profundo, especialmente na imagem do Congresso Nacional, que atinge o pior nível da série histórica.
Segundo o levantamento, 51% dos brasileiros afirmam que os preços aumentaram recentemente, uma queda de 14 pontos percentuais em relação a março, quando esse índice era de 65%. Outros 33% dizem que os preços ficaram iguais, enquanto 12% afirmam que diminuíram. O movimento indica um alívio na inflação percebida no cotidiano, sobretudo em itens essenciais, como alimentação e serviços básicos.
Essa melhora na percepção dos preços vem acompanhada de um avanço do otimismo econômico. De acordo com o PoderData, 57% dos entrevistados acreditam que sua situação financeira vai melhorar nos próximos seis meses. Apenas 10% avaliam que vai piorar, enquanto 33% esperam estabilidade. O dado sugere que a desaceleração da inflação começa a se refletir na expectativa das famílias, ainda que de forma desigual.

Reserva para emergências revela limites da recuperação
Apesar do cenário mais favorável, a pesquisa evidencia os limites da melhora econômica. Quase metade dos brasileiros (45%) afirma que teria R$ 500 disponíveis para enfrentar uma emergência financeira. O percentual supera o dos que dizem não ter essa quantia (34%), enquanto 21% não souberam responder.
O dado oferece um retrato ambíguo da realidade econômica do país. Por um lado, indica que uma parcela significativa da população conseguiu recompor ao menos uma reserva mínima — algo que não era trivial em anos recentes marcados por inflação elevada, perda de renda e endividamento. Esse avanço ocorre em um contexto macroeconômico mais favorável, com projeções indicando que a inflação de 2025 deve encerrar o ano no menor patamar da série histórica recente.
Por outro lado, o levantamento expõe a persistência da vulnerabilidade financeira estrutural. O fato de mais de um terço da população não dispor sequer de R$ 500 revela a fragilidade de milhões de famílias diante de imprevistos. Além disso, especialistas observam que o valor é modesto e frequentemente insuficiente para cobrir despesas comuns, como emergências médicas ou consertos domésticos, o que relativiza a ideia de segurança financeira de médio prazo.

Congresso atinge pior avaliação da série histórica
No plano institucional, a pesquisa aponta um agravamento da crise de confiança no Congresso Nacional. A avaliação do trabalho da Câmara dos Deputados e do Senado Federal atingiu, em dezembro, o pior nível desde o início da série histórica do PoderData, em 2021.
De acordo com o levantamento, 52% dos entrevistados classificam o trabalho dos deputados como ruim ou péssimo, enquanto 50% fazem a mesma avaliação em relação aos senadores. As avaliações positivas seguem minoritárias: apenas 10% consideram o desempenho da Câmara bom ou ótimo, percentual que sobe para 16% no Senado. Cerca de 30% avaliam ambas as Casas como regulares.
Mais do que o recorde de rejeição, os números indicam a consolidação de uma tendência de descrédito institucional. Ao longo de 2025, o PoderData já vinha registrando oscilações negativas na imagem do Legislativo, mas o fechamento do ano marca um ponto de inflexão: pela primeira vez, a avaliação negativa supera com folga a soma das opiniões positivas e regulares, revelando um juízo majoritariamente crítico da sociedade.
Esse desgaste ocorre em meio a um ambiente de tensões políticas recorrentes, disputas públicas entre parlamentares, embates com o Supremo Tribunal Federal e críticas constantes ao ritmo e às prioridades do Congresso. Para parcela expressiva da opinião pública, o Legislativo tem se mostrado mais voltado a agendas corporativas, disputas de poder e pautas controversas do que a temas diretamente ligados ao custo de vida, à segurança pública e à melhoria dos serviços essenciais.

Um país em transição econômica e crise institucional
Os dados do PoderData desenham um quadro de transição. A inflação mais controlada e o ambiente econômico menos adverso começam a produzir efeitos perceptíveis no bolso de parte da população. No entanto, a recuperação segue desigual e insuficiente para afastar o risco financeiro da maioria dos brasileiros. Paralelamente, o aprofundamento da rejeição ao Congresso indica que a crise de confiança institucional deixou de ser episódica e passou a assumir contornos estruturais, especialmente em um contexto pré-eleitoral.
A pesquisa ouviu 2.500 pessoas, em 133 municípios, distribuídos pelas 27 unidades da Federação. As entrevistas foram realizadas por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
