Lula reage a operação da PF no INSS, fala em investigar até familiares e assume papel diplomático em crise internacional

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Por Redação do Interior

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um tom confiante e demonstrou estar animado para a disputa eleitoral. Sem demonstrar preocupação com possíveis adversários, Lula afirmou que não cabe a ele julgar quem deve ou não concorrer e deixou claro que vê o cenário com otimismo.

Investigação no INSS e resposta política

Diante das perguntas sobre possíveis ligações entre seu filho, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), e investigados conhecidos como o “Careca do INSS”, Lula buscou se antecipar a críticas recorrentes da oposição, adotando um tom duro e preventivo.

“Se tiver filho meu envolvido, ele será investigado”, afirmou.

O presidente fez questão de destacar que a investigação não foi fruto de denúncia externa, mas iniciativa do próprio governo, numa tentativa clara de se diferenciar de gestões anteriores marcadas por acusações de aparelhamento de órgãos de controle.

Segundo Lula, a apuração levou cerca de dois anos sob responsabilidade da CGU, e a decisão de tornar o caso público ocorreu apenas quando havia elementos suficientes. O discurso rejeita o que chamou de “pirotecnia” e tenta sustentar a narrativa de responsabilidade institucional, embora a prisão de um dirigente de alto escalão exponha fragilidades na gestão e nos mecanismos de controle interno da Previdência.

Crise Venezuela–EUA e o papel do Brasil

No campo internacional, Lula voltou a se posicionar como mediador regional diante da escalada de tensão entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela. O presidente confirmou conversas diretas com ambos, reforçando a ideia de que o Brasil não aceitará conflitos armados na América do Sul. “Isso aqui é zona de paz e não é zona de guerra”, disse, ao relatar diálogo com Trump.

Embora tenha evitado revelar detalhes da conversa com Maduro, Lula afirmou ter defendido a via diplomática e se colocou à disposição para ajudar na construção de um acordo. O movimento mostra a estratégia histórica do Itamaraty de evitar conflitos regionais, mas também expõe os limites do Brasil como mediador em um cenário de alta polarização internacional.

Acordo Mercosul–União Europeia emperra

Outro ponto sensível abordado foi o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que segue travado por resistências internas no bloco europeu. Lula revelou surpresa com a posição da Itália, que se juntou à França na tentativa de adiar a assinatura.

Segundo o presidente, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, alegou dificuldades políticas internas, especialmente pressões de agricultores contrários ao acordo. O episódio evidencia que, apesar do avanço diplomático anunciado pelo governo brasileiro, o tratado segue vulnerável a interesses domésticos europeus, adiando um dos principais objetivos comerciais da atual política externa.

Eleições, oposição e confiança na reeleição

No plano político interno, Lula demonstrou confiança explícita na disputa presidencial de 2026. Sem citar nomes, minimizou possíveis adversários ligados à família Bolsonaro e afirmou que a pulverização de candidaturas não o preocupa. “Saiam quantos quiserem. O dado concreto é que nós vamos ganhar as eleições.”

A declaração reforça a postura de liderança consolidada dentro do campo governista, mas também revela uma antecipação do embate eleitoral em meio a um governo que ainda enfrenta desgaste em áreas sensíveis, como a economia e a gestão de políticas sociais.

Fim da escala 6×1 e discurso social

Por fim, Lula voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, alinhando-se ao discurso histórico do PT em defesa da redução da jornada. Para o presidente, os avanços tecnológicos das últimas décadas tornam o modelo atual injustificável. “Não existe um único argumento que diga que a sociedade brasileira não está pronta.”

A fala sinaliza que o tema pode ganhar centralidade no debate trabalhista e eleitoral, embora encontre resistência no setor empresarial e no Congresso.

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