Da Redação
Morreu nesta terça-feira (16), no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, Isabelly, a mulher que teve o corpo incendiado pelo próprio marido em Marechal Deodoro. O crime ocorreu na madrugada da segunda-feira, 15 de dezembro, dentro da residência do casal, e é investigado pela Polícia Civil como feminicídio seguido de suicídio.
Segundo relatos feitos pela própria Isabelly aos socorristas e às autoridades, ela e o marido estavam deitados na cama quando o homem jogou um líquido inflamável sobre os dois e ateou fogo. Mesmo com ferimentos gravíssimos, ela conseguiu escapar da casa em chamas e pedir ajuda.
Isabelly foi socorrida e encaminhada ao HGE, onde ficou internada na Unidade de Tratamento de Queimados com 99% do corpo atingido por queimaduras de primeiro e segundo graus, mas não resistiu à gravidade das lesões. O marido foi encontrado morto e carbonizado dentro do imóvel.
A brutalidade do crime expõe, mais uma vez, a face extrema da violência doméstica.. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que, apenas em 2025, o estado já registrou mais de 4,2 mil casos de violações contra mulheres, incluindo agressões físicas, psicológicas e ameaças. Em setembro deste ano, foram 466 ocorrências, sendo quase metade concentrada em Maceió.
Levantamentos da Secretaria de Estado da Saúde também mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o Samu atendeu mais de 200 ocorrências graves de violência doméstica contra mulheres em Alagoas. Já dados epidemiológicos indicam que, entre 2020 e 2024, o estado contabilizou mais de 26 mil notificações de violência interpessoal contra mulheres, com destaque para a violência física praticada por parceiros íntimos.
O caso de Marechal Deodoro se insere nesse contexto alarmante. Embora existam instrumentos legais como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, especialistas alertam que a persistência de crimes dessa natureza revela falhas na prevenção, na identificação precoce de situações de risco e na proteção efetiva das vítimas.
A morte de Isabelly, no HGE, não é um episódio isolado. É mais um retrato de um problema estrutural que segue vitimando mulheres em Alagoas.
