A Polícia Civil de Alagoas vai ouvir por carta precatória a vítima do influenciador digital Babal Guimarães, preso após ser acusado de agredi-la na área externa de um condomínio de luxo em Maceió. A decisão ocorre porque a mulher, Karla Lessa, deixou o estado dias após o episódio, registrado em 28 de novembro de 2025, e hoje se encontra em outra unidade da federação.
Relembre o caso
No fim da noite de 28 de novembro, Karla Lessa foi agredida por Babal Guimarães na área externa de um condomínio localizado na parte baixa de Maceió. Imagens e relatos de testemunhas auxiliaram a Polícia Civil a instaurar o inquérito. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e motivou outras mulheres a relatarem episódios semelhantes envolvendo o influenciador, o que contribuiu para que a Justiça decretasse sua prisão.
Após o ocorrido, Karla deixou Alagoas, alegando preocupação com sua integridade física. Desde então, a DEAM acompanha o caso e busca garantir que ela seja ouvida de forma segura.
Depoimento por carta precatória
A delegada Ana Luiza Nogueira, coordenadora das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs), explicou que o depoimento será colhido pela Polícia Civil da cidade onde Karla está morando. O recurso da carta precatória permite que o inquérito avance sem exigir o deslocamento da vítima para Alagoas.
Além do depoimento, novas oitivas serão realizadas nos próximos dias, incluindo pessoas que presenciaram a agressão e testemunhas que podem ampliar o histórico de violência atribuído ao influenciador.
“Todas as medidas necessárias estão sendo providenciadas para que esse inquérito tenha um conjunto probatório muito bem construído, garantindo que o agressor receba a pena máxima e permaneça recolhido no sistema prisional”, afirmou a delegada.
O impacto das outras denúncias
Ana Luiza destacou ainda que a prisão do influenciador só foi possível porque outras mulheres procuraram a polícia após o caso vir à tona. As declarações mostram a importância do registro de Boletim de Ocorrência (B.O.) para interromper ciclos de violência.
“Só assim vamos conseguir responsabilizar penalmente agressores que, infelizmente, vêm reiterando a prática de violência contra nós, mulheres”, concluiu.
Como o caso se insere no cenário da violência contra a mulher
O episódio envolvendo Babal Guimarães expõe um padrão recorrente em casos de violência doméstica e agressões praticadas por figuras públicas: a subnotificação e o receio da vítima em permanecer no mesmo local após denunciar.
Especialistas apontam que o uso da carta precatória demonstra o esforço das autoridades em garantir a segurança da vítima e, ao mesmo tempo, dar celeridade ao processo — especialmente quando o agressor é alguém com grande visibilidade, o que costuma gerar pressão social e mobilização digital.
O inquérito segue em andamento, e a Polícia Civil afirma que novas medidas poderão ser adotadas conforme o avanço das investigações.
