Da Redação
A prisão do influenciador Babal Guimarães, nesta quarta-feira (10), desencadeou fortes reações na Assembleia Legislativa de Alagoas. Durante a sessão, deputados destacaram a gravidade do caso e defenderam respostas mais rigorosas do Estado diante da violência contra mulheres — com ênfase especial no pronunciamento da deputada Cibele Moura (MDB), que cobrou ações estruturadas do governo.
Babal foi detido após decisão da 16ª Vara Criminal da Capital – Execuções Penais, que determinou a regressão imediata do regime aberto para o fechado. A medida foi motivada pela divulgação de imagens de câmeras de segurança, registradas em 28 de novembro, que mostram o influenciador agredindo a namorada, a modelo Karla Lessa, em frente a um condomínio de Maceió. Mesmo sem boletim de ocorrência formal, a Polícia Civil instaurou inquérito por lesão corporal, amparada pelo conjunto probatório das gravações.
Cibele Moura: “A repercussão é grande porque o agressor é rico e famoso”
Em seu pronunciamento, Cibele Moura classificou o caso como “chocante” e criticou a percepção de impunidade quando os autores de violência doméstica são figuras públicas ou possuem influência econômica. Para ela, o impacto nacional do episódio reforça “uma desigualdade estrutural que normaliza comportamentos violentos quando partem de homens com alto poder aquisitivo”.
A parlamentar também condenou a permanência de agressores em regime aberto — especialmente em casos de reincidência, como o de Babal, condenado em 2019 por lesão corporal contra a ex-esposa. Cibele defendeu que autores desse tipo de crime cumpram pena em regime fechado para reduzir riscos de repetição das agressões. “Reincidências acontecem porque o sistema é permissivo. Não há como proteger mulheres mantendo agressores circulando livremente”, afirmou no plenário.
Deputada cobra implementação da lista pública de agressores
A fala mais contundente de Cibele foi direcionada ao governo estadual. Ela voltou a cobrar a regulamentação e implementação da lista pública de estupradores e agressores de mulheres, prevista em lei aprovada pela própria Assembleia. Segundo a deputada, a ferramenta é essencial para ampliar a transparência, fortalecer políticas de prevenção e permitir que a população identifique autores de violência.
Para Cibele, a ausência dessa lista compromete a efetividade de outras medidas já adotadas. “O Estado tem instrumentos jurídicos aprovados e validados, mas é preciso tirá-los do papel. A sociedade exige respostas rápidas e consistentes”, destacou.
Prisão reforça reincidência e descumprimento de regras
A decisão que levou Babal ao regime fechado levou em conta seu histórico criminal. O influenciador cumpre pena por agressão cometida em 2019, havia sido novamente detido no início do ano por descumprimento de medidas e voltou ao regime aberto após decisão judicial. As novas imagens, segundo o Judiciário, demonstram violação direta das condições impostas e revelam comportamento reiterado.
A prisão foi cumprida pela Seção de Capturas da Draco, que destacou a reincidência como fator determinante.
Próximos passos: inquérito e processo disciplinar
A investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher seguirá nas próximas semanas, com depoimentos da vítima e do agressor. O caso continua mesmo sem manifestação formal da vítima, já que a lei permite abertura de inquérito quando há provas suficientes.
Além disso, um processo administrativo disciplinar deve ser remetido à Justiça em até 90 dias, podendo resultar em novas sanções.
Pressão política e expectativa por respostas
A sessão na Assembleia mostrou um consenso: a reincidência de Babal Guimarães expõe falhas estruturais no enfrentamento à violência doméstica em Alagoas. O discurso de Cibele Moura marcou a discussão ao transformar o episódio em um ponto de inflexão — insistindo que o Estado precisa acelerar mecanismos de transparência e garantir que casos de grande repercussão não resultem apenas em indignação momentânea.
