DERC desarticula esquema de receptação de fios e cabos metálicos

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Da Redação (imagem Ascom- PC/AL)

A operação deflagrada pela Delegacia Especializada de Roubos da Capital (DERC) nesta quarta-feira (10), em dois ferros-velhos na parte alta de Maceió, mostra uma tendência já percebida por autoridades de segurança e concessionárias de energia: o furto de fios e cabos metálicos se tornou um crime recorrente, organizado e alimentado por um mercado clandestino em expansão.

Sob coordenação do delegado Thiago Prado, a ação resultou na prisão dos proprietários dos estabelecimentos e na apreensão de quase meia tonelada de fios de cobre e aço de origem ilícita. As investigações apontam que os materiais eram furtados por usuários de drogas nas imediações do entroncamento das BRs 316 e 104 e revendidos aos ferros-velhos fiscalizados, revelando uma cadeia que combina vulnerabilidade social, facilidade de revenda e rentabilidade do metal.

O apoio técnico da Equatorial Energia confirmou a procedência criminosa do material, o que levou à autuação dos suspeitos por receptação qualificada — crime cuja pena pode chegar a 16 anos de prisão.

Os furtos de cabos vêm crescendo nos últimos anos, pressionados pelo alto valor do cobre no mercado e pela baixa capacidade de rastreamento do material após a retirada do isolamento. Em 2024, foram registrados mais de 15 mil casos de furtos de cabos e fios em todo o país, com mais de 100 toneladas de material furtado. Também em 2024, cerca de 2 mil quilômetros de cabos de telecomunicações foram furtados ou roubados no país.. Por causa da recorrência desses crimes, em 2025 foi sancionada a Lei 15.181/2025, que aumentou as penas para furto/roubo de cabos elétricos e de telefonia, incluindo agravantes para receptação. Empresas de energia e telecomunicações relatam prejuízos milionários e interrupções constantes no fornecimento de serviços essenciais, como iluminação pública e internet.

A dinâmica que sustenta esses crimes costuma seguir o mesmo padrão: indivíduos em situação de vulnerabilidade furtam pequenas quantidades de fios para revender rapidamente, enquanto ferros-velhos sem controle de origem garantem a compra e o escoamento do material. A combinação de lucro rápido, risco relativamente baixo e dificuldade de fiscalização transforma o furto de cabos em uma prática disseminada, com impactos diretos na segurança urbana e na oferta de serviços.

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