Da Redação
A afirmação de Flávio Bolsonaro de que sua candidatura à Presidência em 2026 é irreversível marcou uma nova etapa na movimentação do senador para ocupar o espaço deixado por Jair Bolsonaro na liderança da direita. A declaração, feita nessa terça-feira (9), vem acompanhada de um esforço crescente para ampliar apoios políticos e fortalecer sua posição no debate nacional.
Nos bastidores, Flávio busca consolidar alianças e ofereceu, na segunda (8), um jantar em Brasília para lideranças do centrão. O encontro foi planejado como gesto de aproximação com partidos que terão peso central na eleição. A ausência de representantes do Republicanos — partido de Tarcísio de Freitas — chamou atenção e evidenciou a divisão silenciosa dentro do campo conservador sobre qual nome deve ser apoiado em 2026.
Publicamente, Tarcísio tem insistido na narrativa de lealdade à família Bolsonaro e afirma que está ao lado de Flávio. Internamente, porém, interlocutores do governador reconhecem que ele teme desgaste caso entre de cabeça na articulação do senador. Isso porque parte da direita continua pressionando para que Tarcísio seja o candidato do campo bolsonarista, e qualquer movimento mais explícito a favor de Flávio pode gerar ruídos no eleitorado paulista e nacional.
A pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta terça-feira mostrou que o cenário está mais competitivo do que o esperado. Nos cenários testados, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas aparecem tecnicamente empatados — 19% para o senador e 17% para o governador. A diferença está dentro da margem de erro, mas mostra Flávio dois pontos à frente e com desempenho próximo ao do nome considerado preferido por grande parte da direita.
O avanço de Flávio nas articulações e nas pesquisas indica que a disputa dentro do campo conservador tende a se intensificar nos próximos meses. Enquanto o PL se mobiliza para impulsionar o senador, o Republicanos tenta administrar a pressão sobre Tarcísio, que segue como peça central, mas evita assumir qualquer protagonismo na corrida presidencial.
