*Manoel Ferreira Lira
Antes de tudo, segundo os linguistas, as duas formas estão corretas: a primeira (acordei chorando) é o português falado e escrito no Brasil, aplicando-se o gerúndio; a segunda (acordei a chorar) é a forma aplicada em Portugal e países da lingua portuguesa da África, empregando-se a preposição a seguida do infinitivo acordar. De qualquer forma, as duas formas estão corretas e, no Brasil, a construção no gerúndio é a mais aplicada e recomendada.
Deixando de lado a linguística, que não é o meu forte, vamos às reminiscências!
Ah, acordei chorando… a lembrar dos tempos que, brincando no quintal de casa em Feira Grande (o Mocambo), cai de um pé de carrapateira e fraturei o braço esquerdo – cúbico e rádio -, as dores atrozes, o prático que se dizia farmacêutico engessando o braço, encanando-o com gesso;
Ah, acordei chorando… quando me recordo da presença do Navio Hope (Marinha dos EUA), com médicos, enfermeiros, auxiliares da saúde, e pessoal treinado a trazer ao alagoano um pouco de saúde e alegria. Para mim, foi uma decepção, com a recusa dos gringos a “consertar” meu braço esquerdo;
Ah, acordei chorando… quando, em 1989, estava em um leito de UTI da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, todo monitorado, a esperar a equipe de cardiologia: os médicos José Wanderley Neto, Cid Célio Cavalcante, Gilvan Dourado (sou portador de pontes de safena e mamárias);
Ah, acordei chorando… quando no Instituto do Coração, em 1997, fui “agraciado” com dois stents;
Ah, acordei chorando… quando, vindo de uma audiência trabalhista em União dos Palmares, comecei a ter um “derrame”, que paralisou mão e perna esquerdas;
Ah, acordei chorando… quando em 2013, na Santa Casa, colocaram no meu peito mais um stent;
Ah, acordei chorando… quando, numa volta de Buenos Aires, dia 21 de agosto de 2014, ainda no avião pousado em Guarulhos, quase infartei. Depois de vinte dias internado entre um hospital da UNIMED e sob os cuidados da equipe cardiológica do Hospital Stella Maris, voltei para Maceió;
Ah, acordei chorando… a lembrar dos tempos de universitário em Salvador Bahia (cirurgia de urgência no Pronto Socorro Getúlio Vargas para a retirada do apêndice já supurando);
Ah, acordei chorando… surpreso e chocado quando bati a porta no rosto de meu pai, morto alguns meses atrás no ano de 1973;
Ah, acordei chorando… e continuei o choro quando ele me disse que tinha sido meu filho de nome Isaac;
Ah, acordei chorando… de alegria, por estar agora em dezembro, completando 79 anos. Que alegria!
*Jornalista
