Da Redação
O Brasil encerrou 2024 registrando os melhores indicadores sociais em três décadas, de acordo com novo estudo do Ipea. Os dados mostram um avanço consistente na renda, na redução da pobreza e no recuo da desigualdade — resultados que refletem, sobretudo, a recomposição do mercado de trabalho e o fortalecimento das políticas sociais.
Renda em alta e desigualdade em queda
Segundo o levantamento, a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70% desde meados dos anos 1990, enquanto a desigualdade, medida pelo índice de Gini, recuou quase 18% no mesmo período. A extrema pobreza, que atingia um quarto da população há 30 anos, hoje se mantém abaixo de 5%.
O movimento, no entanto, não foi linear. O país viveu forte expansão entre 2003 e 2014, sofreu estagnação e retrocessos entre 2014 e 2021 — em 2021, a renda per capita (por pessoa) chegou ao nível mais baixo em uma década. Mas desde então o cenário mudou – entre 2021 e 2024, a renda média real cresceu mais de 25% – o maior avanço em três anos seguidos desde 1994 recuperando perdas e impulsionando os indicadores sociais.
Trabalho e programas sociais como motores
O estudo destaca que a queda recente da pobreza e da desigualdade veio de uma combinação equilibrada: o dinamismo do mercado de trabalho e o reforço das transferências sociais. Empregos formais, aumento de salários e políticas de renda ampliada, como o Bolsa Família e o BPC, contribuíram de forma equivalente para o avanço.
Ainda que a expansão dos programas sociais tenha perdido fôlego entre 2023 e 2024, o mercado de trabalho manteve ritmo forte o suficiente para sustentar a melhora dos índices, ampliando o impacto sobre a renda das famílias mais vulneráveis.
Melhores resultados em 30 anos, mas desafios persistem
Com a soma desses fatores, 2024 marcou o menor nível de pobreza já registrado na série histórica do IBGE. Mesmo assim, o país ainda convive com desafios estruturais: quase 5% da população permanece em situação de extrema pobreza e mais de um quarto vive abaixo da linha de pobreza internacional.
Indícios de mudança estrutural
Para os pesquisadores, o ciclo recente representa uma inflexão depois de anos de instabilidade. A simultaneidade entre crescimento econômico, geração de renda e queda da desigualdade indica que o país pode estar entrando em um período de melhora estrutural — ainda dependente, porém, da manutenção de políticas públicas e da continuidade da recuperação do mercado de trabalho.
