Da Redação com informações divulgadas pelo portal 082 Notícias
A revelação de imagens e registros de encontros oficiais entre o prefeito João Henrique Caldas, o JHC, e pesquisadores internacionais deu novo impulso ao debate sobre a condução da Prefeitura de Maceió no monitoramento da subsidência provocada pela exploração de sal-gema da Braskem.
A divulgação feita pelo defensor público estadual Ricardo Melro aponta que o prefeito manteve interlocução direta com especialistas que hoje questionam a metodologia adotada pelo Município — e, mesmo diante de críticas técnicas, JHC permanece em silêncio, o que tem sido interpretado como um movimento político que beneficia a mineradora.
As fotografias mostram o prefeito de Maceió ao lado do professor Mahdi Motagh e da pesquisadora Magdalena Vassileva em reuniões realizadas tanto em Maceió quanto na Alemanha. Segundo Melro, os encontros ocorreram entre 2022 e 2023, a convite da própria prefeitura, que custeou a vinda dos especialistas ao Brasil.Na ocasião, houve reuniões com a Defesa Civil Municipal, a Defesa Civil Nacional e com o próprio prefeito, além de agendas internacionais com a comitiva oficial do Município.

A relação prévia entre gestão e pesquisadores ganhou novo peso após a publicação de um relatório independente assinado pelos mesmos especialistas, apontando falhas, lacunas e necessidade de revisão urgente na metodologia aplicada pela Prefeitura para monitorar a evolução do afundamento. O contraste entre o histórico de cooperação técnica e a recusa atual em acolher as recomendações acendeu alertas entre órgãos de controle e instituições científicas.
A situação se agravou com a divulgação de uma gravação de reunião recente entre a Defesa Civil de Maceió, representantes da Braskem e técnicos federais, na qual foi reconhecido que o parâmetro de 5 mm/ano — utilizado pela Prefeitura como referência de risco — carece de validação científica. O próprio órgão federal admitiu que a métrica é arbitrária, podendo variar sem base consolidada. No mesmo encontro, houve ainda a confirmação do nexo causal entre a atividade de mineração da Braskem, os movimentos dos Flexais e o colapso urbano que devastou cinco bairros da capital.
Essas informações somam-se ao histórico do desastre iniciado em 2018, quando a instabilidade geológica nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol passou a se intensificar, culminando, em 2019, no reconhecimento oficial de que a extração de sal-gema havia comprometido o solo de forma irreversível. O episódio obrigou a realocação de dezenas de milhares de moradores e tornou-se o maior crime socioambiental urbano em andamento no país.
Diante das novas evidências e do silêncio mantido por JHC e pelo coordenador da Defesa Civil Municipal, Abelardo Nobre, cresce a pressão por um posicionamento público que esclareça as razões pelas quais a Prefeitura opta por não revisar seu método de monitoramento — sobretudo quando especialistas convidados pelo próprio Município apontam fragilidades técnicas.
A ausência de respostas fortalece a percepção de que a postura da gestão municipal, ao evitar ajustes e questionamentos, acaba favorecendo a mineradora em um momento de grande escrutínio público e institucional. Enquanto isso, milhares de moradores seguem à espera de transparência, rigor científico e decisões alinhadas à proteção do território e da população afetada.
