Fraude no INSS: PF cumpre 63 mandados e prende 10 em nova fase da Operação Sem Desconto

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Da Redação

Ações em 16 estados e no Distrito Federal miram fraudes em aposentadorias e pensões

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ofensiva ocorre simultaneamente em 16 estados e no Distrito Federal, com o cumprimento de 63 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão preventiva. A investigação é conduzida em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

Os alvos são associações, sindicatos, servidores públicos e empresários suspeitos de envolvimento em um sistema que realizava descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo a apuração, o grupo inseria informações falsas nos sistemas do INSS, cadastrando beneficiários em entidades das quais nunca haviam solicitado filiação. Em muitos casos, os aposentados só percebiam o problema após sucessivos abatimentos no valor mensal recebido.

Esquema nacional e danos ao sistema previdenciário

As investigações apontam que o modelo de fraude tinha alcance nacional e envolvia tanto entidades de fachada quanto empresas registradas, criadas para escoar valores obtidos de forma irregular. Parte dos empresários investigados atuava como operadores financeiros, auxiliando na movimentação e na ocultação dos recursos desviados.

Entre os estados onde as ações ocorreram estão Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. A dimensão geográfica da operação indica que o esquema foi estruturado para funcionar de forma descentralizada, o que dificulta o rastreamento dos repasses.

Segunda grande ofensiva em 2025

A nova fase da Sem Desconto é a segunda grande investida da PF contra fraudes previdenciárias neste ano. Em abril, uma etapa anterior já havia identificado irregularidades em 70% das entidades auditadas, com a constatação de milhares de filiações irregulares. Naquele momento, as investigações apontaram que aposentados em alguns estados tinham sido registrados em mais de uma associação no mesmo dia, o que reforçou a suspeita de manipulação em massa de cadastros.

Agora, o foco está em desarticular o núcleo operacional e financeiro do grupo, além de apurar a eventual participação de servidores e empresários que teriam atuado para garantir o funcionamento do esquema e a lavagem dos valores obtidos com os descontos indevidos.

Impacto direto sobre os aposentados

O esquema atingia diretamente os beneficiários, que viam parte da renda comprometida por contribuições inexistentes. Além das perdas individuais, as fraudes colocam em risco a credibilidade do sistema previdenciário, ao fragilizar os mecanismos de controle e segurança dos dados do INSS.

A PF e a CGU destacam que a operação segue em andamento e que os materiais apreendidos deverão subsidiar novas fases da investigação. A expectativa é que, nas próximas semanas, sejam divulgados balanços com o número de pessoas presas e o volume estimado de recursos desviados.

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