Decisão abre caminho para a volta de Nivaldo Albuquerque (Republicanos) à Câmara e reforça perfil conservador da bancada alagoana, majoritariamente contrária ao governo Lula
Da Redação
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) decidiu, por quatro votos a três, anular os 24.754 votos recebidos pelo ex-candidato João Catunda (PP) nas eleições de 2022. A decisão, tomada na sessão do de hoje (10), atende a uma ação movida pelo partido Republicanos e pode alterar a composição da bancada alagoana na Câmara dos Deputados.
Segundo o processo, Catunda teria se beneficiado de material de campanha produzido e distribuído pelo Sindicato de Saúde do Município de Maceió durante uma mobilização de servidores públicos. O material trazia o CNPJ da campanha do candidato, o que levou o tribunal a entender que houve uso indevido de estrutura institucional em benefício eleitoral.
Embora não tenha sido eleito, os votos de João Catunda foram decisivos para o cálculo do quociente eleitoral que garantiu o mandato do deputado Paulão (PT). Com a anulação, o TRE deve recalcular o resultado da eleição, o que pode resultar na perda do mandato de Paulão e no retorno de Nivaldo Albuquerque (Republicanos) à Câmara dos Deputados.
A possível substituição não se limita a uma mudança de nomes, mas também de perfil político. A entrada de Nivaldo Albuquerque reforçaria o bloco conservador da bancada alagoana, que tem votado, em sua maioria, contra o governo Lula em temas ligados a costumes, valores religiosos e segurança pública. A saída de Paulão, um dos principais aliados do Planalto no estado, representaria a redução da presença petista em Brasília e o fortalecimento das forças de centro-direita.
A defesa de Paulão deve recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que terá a palavra final sobre o caso. O julgamento em Brasília será determinante para confirmar ou reverter o recálculo dos votos e, consequentemente, definir quem ocupará a cadeira alagoana na Câmara.
