Petrobras descarta controle da Braskem, mas quer mais poder de gestão

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Decisão esfria expectativas sobre estatização e repasse do passivo ambiental em Alagoas

Da Redação

A Petrobras confirmou, na última sexta-feira (7), que não tem interesse em assumir o controle da Braskem. A decisão encerra meses de especulações sobre uma possível estatização da petroquímica — tema que reacendeu expectativas em Alagoas, especialmente diante do impasse sobre o passivo ambiental deixado pela empresa em Maceió.

Apesar de descartar a compra do controle, a estatal quer fortalecer sua influência na gestão da Braskem. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia sinalizado em junho que o acordo de acionistas deveria “evoluir” para dar mais peso à estatal nas decisões estratégicas da petroquímica. O argumento central é que a Petrobras, como maior produtora e refinadora de petróleo do país, teria expertise para integrar melhor as operações do setor petroquímico ao seu modelo de negócios.

Atualmente, a Petrobras detém 36% do capital da Braskem, enquanto a Novonor (antiga Odebrecht) mantém 50,01%. A movimentação recente do empresário Nelson Tanure, que fez oferta para adquirir a fatia da Novonor, trouxe novo componente à disputa, com a promessa de dar mais espaço à Petrobras dentro da companhia.

Internamente, a estatal avalia que a gestão atual da Braskem está desalinhada de suas práticas e que há espaço para maior sinergia entre as duas empresas. O objetivo seria otimizar a cadeia produtiva, especialmente em um contexto de transição energética e de necessidade de maior eficiência na indústria petroquímica.

No entanto, a decisão de não ampliar a participação a ponto de assumir o controle indica que a Petrobras prefere manter uma posição estratégica sem arcar com as implicações políticas e financeiras de uma eventual estatização — movimento que exigiria alto investimento e poderia reacender críticas sobre intervencionismo estatal.

O passivo ambiental em Maceió

A frustração em Alagoas é compreensível. Desde 2018, a Braskem é apontada como responsável pelo afundamento do solo em cinco bairros de Maceió — Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol — resultado de décadas de extração de sal-gema no subsolo da capital. O fenômeno causou rachaduras em milhares de imóveis, o deslocamento de cerca de 60 mil pessoas e a destruição completa de parte da malha urbana da cidade.

O desastre ambiental é considerado o maior do tipo em área urbana no país e um dos mais complexos já registrados na América Latina. A empresa firmou acordos com o Ministério Público e a Prefeitura Municipal de Maceió, comprometendo-se com pagamentos em indenizações e obras de reparação. Ainda assim, moradores e autoridades locais afirmam que a reconstrução da cidade e a responsabilização plena da Braskem seguem distantes do ideal.

Para muitos alagoanos, a expectativa de uma maior participação da Petrobras na Braskem alimentava a esperança de uma solução mais robusta e definitiva para o passivo ambiental. A estatal, com sua estrutura técnica e respaldo financeiro, era vista como potencial catalisadora de um acordo que acelerasse as reparações.

Com o recuo da Petrobras, no entanto, o cenário volta a se apoiar nas negociações entre a própria Braskem, a Justiça e os órgãos de fiscalização. A decisão da estatal sinaliza que, embora busque fortalecer sua posição estratégica na petroquímica, não pretende se envolver diretamente nas responsabilidades decorrentes do maior desastre ambiental urbano da história de Alagoas.

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