Menor inflação desde a criação do Plano Real e desemprego no piso histórico marcam a economia de 2025

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Da Redação

Inflação sob controle e mercado aquecido

O governo Lula caminha para registrar a menor inflação acumulada de um mandato desde o Plano Real, resultado que consolida um período de estabilidade de preços com expansão do emprego e da renda. De acordo com projeções de economistas e do Banco Central, a inflação acumulada entre 2023 e 2026 deve ficar em torno de 19%, abaixo dos 22% observados no segundo mandato de Lula e de qualquer outro presidente nas últimas duas décadas.

Esse desempenho ocorre em meio a uma combinação de fatores: políticas de transferência de renda fortalecidas, valorização do salário mínimo acima da inflação e aumento do emprego formal. O equilíbrio entre crescimento e controle de preços tem sido apontado como um dos pilares do atual ciclo econômico, mesmo com os efeitos de juros ainda elevados.

Desemprego cai ao menor nível da série

Os dados mais recentes do IBGE reforçam esse cenário de recuperação. A taxa de desocupação caiu para 5,6% no trimestre encerrado em setembro — igualando o menor nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.


O número de pessoas desocupadas caiu para 6,045 milhões, o menor contingente em 13 anos, enquanto a população ocupada se manteve em patamar recorde: 102,4 milhões de trabalhadores.

A taxa de subutilização recuou para 13,9%, e o desalento caiu para 2,6 milhões, menos da metade do pico de 2021. O país se aproxima, assim, de uma situação de pleno emprego, rara na história recente — quando praticamente todos que buscam uma vaga conseguem trabalhar.

Renda cresce e desigualdade diminui

O rendimento médio real habitual subiu 4% em um ano, e a massa de rendimentos alcançou R$ 354,6 bilhões, o maior valor da série histórica.


Os maiores aumentos salariais ocorreram em agricultura (+6,5%), construção (+5,5%) e serviços domésticos (+6,2%), setores de base mais popular. Essa melhora é reflexo direto da política de valorização do salário mínimo, que recupera o poder de compra e estimula o consumo.

A combinação entre inflação controlada e renda em alta aumentou o poder de compra das famílias, especialmente entre os mais pobres — um dos objetivos centrais da política econômica do governo.

Emprego formal avança, informalidade recua

A informalidade caiu para 37,8% da população ocupada, enquanto o emprego com carteira assinada atingiu recorde: 39,2 milhões de trabalhadores, um milhão a mais que no ano anterior.


Esse movimento indica formalização e estabilidade, impulsionadas tanto por políticas públicas quanto pela expansão de setores como agropecuária e construção civil, que cresceram 3,4% cada.

Juros ainda travam o investimento

O principal ponto de tensão no cenário econômico é a taxa básica de juros, ainda em patamar alto. O Banco Central mantém o argumento de que precisa conter pressões inflacionárias, mas o próprio resultado do IPCA mostra que a inflação já está dentro da meta.


Os juros elevados, nesse contexto, reduzem a capacidade de investimento público e privado, encarecem o crédito e limitam o potencial de crescimento. Para o governo, a política monetária deveria acompanhar o novo cenário de estabilidade de preços e emprego forte.

Um ciclo raro de estabilidade com inclusão

O quadro de 2025 é emblemático: menor inflação em mais de 20 anos, pleno emprego, renda em alta e redução da informalidade.


O desafio para 2026 será transformar essa conjuntura em um ciclo duradouro — conciliando a valorização do trabalho com o aumento da produtividade e o estímulo a novos investimentos.

Se conseguir manter essa trajetória, Lula deve encerrar o mandato com um feito histórico: controlar a inflação, elevar a renda e garantir recorde de empregos formais ao mesmo tempo — um equilíbrio raro na economia brasileira.

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