Renan Filho destaca que 20 milhões dirigem sem CNH e apresenta medidas para facilitar a habilitação

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Por Redação / Foto: Divulgação

O ministro dos Transportes, Renan Filho, detalhou nesta quarta-feira (29), durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, as ações que o governo federal pretende adotar para tornar o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) mais acessível, simples e moderno. A proposta, que está em consulta pública até o dia 2 de novembro, busca reduzir em até 80% o custo total da habilitação.

Segundo o ministro, o alto valor cobrado atualmente — que pode ultrapassar R$ 4 mil — é um dos principais fatores que levam milhões de brasileiros a dirigir sem o documento. “Hoje, cerca de 20 milhões de pessoas conduzem veículos sem carteira, e entre os motociclistas, mais da metade não possui CNH. Em alguns estados, esse número chega a 70%”, afirmou.

Renan Filho destacou que o modelo vigente se tornou excludente e ultrapassado, especialmente para trabalhadores que não têm tempo nem condições financeiras de cumprir todas as exigências atuais, como as 45 horas obrigatórias de aulas em autoescolas. Para ele, é necessário modernizar a formação dos condutores e aproveitar os recursos tecnológicos disponíveis.

“Vamos manter a exigência da prova, mas permitir que o cidadão estude de forma mais flexível — no celular, no ônibus ou no intervalo do trabalho. O aprendizado precisa acompanhar a realidade do século 21”, explicou o ministro.

Entre as inovações previstas está a possibilidade de realizar aulas práticas em veículos automáticos, acompanhando a evolução da frota nacional. Além disso, o governo pretende padronizar as provas teóricas aplicadas pelos Detrans, focando em conteúdos realmente ligados à segurança viária, direção defensiva e sustentabilidade.

Renan Filho criticou o excesso de questões sem relevância prática nas avaliações. “Hoje, há provas com perguntas que fogem completamente do objetivo, como diferenças químicas entre gasolina e álcool. Queremos avaliar o conhecimento sobre o trânsito, não sobre química”, disse.

Outro ponto levantado foi a revisão de exigências consideradas desatualizadas, como a obrigatoriedade da baliza em locais onde o tipo de vaga já não exige a manobra. “O trânsito mudou, as cidades mudaram, e é preciso que a formação de condutores reflita essa nova realidade”, completou.

O projeto está disponível para consulta na plataforma Participa + Brasil, e as sugestões enviadas pela população serão avaliadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) antes da implementação das mudanças.

“Queremos ouvir a sociedade. Sabemos que há quem defenda o modelo atual porque se beneficia dele, mas é um sistema caro, demorado e que exclui muitas pessoas. Estamos trabalhando para corrigir essas distorções”, concluiu Renan Filho.

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