Lula encerra viagem à Ásia com novos acordos e reforço do papel do Brasil no cenário internacional

Compartilhe

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou nesta segunda-feira (27) uma intensa viagem pela Ásia, com compromissos oficiais na Indonésia e na Malásia. A agenda incluiu reuniões bilaterais, assinatura de acordos comerciais, aberturas de mercados, encontros com empresários e a participação inédita na Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Lula também recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Nacional da Malásia (UKM), em reconhecimento à sua trajetória política e à atuação internacional em defesa da inclusão social e do combate à fome.

Durante coletiva de imprensa, o presidente fez um balanço positivo da viagem e destacou o fortalecimento das relações do Brasil com países do Leste Asiático em áreas como agricultura, pecuária, semicondutores, ciência e tecnologia, energia, segurança e educação.

“É mais uma viagem exitosa do governo brasileiro ao exterior. Temos um potencial extraordinário em todas as áreas para crescer a relação com a Indonésia, uma relação muito boa construída com o presidente Prabowo Subianto. E eu nunca tinha vindo à Malásia, e o primeiro-ministro Anwar Ibrahim é uma figura extraordinariamente agradável, que gosta do Brasil e quer ter uma relação forte com o povo brasileiro”, afirmou Lula.

Portas abertas para os negócios

O presidente ressaltou a importância da presença de mais de 100 empresários brasileiros na comitiva. Segundo ele, o objetivo foi conhecer oportunidades e abrir caminhos para o comércio e o investimento.

“O presidente não faz negócio, ele abre portas. E a receptividade tem sido extraordinária”, afirmou. “Há muita vontade de conhecer o Brasil, de conhecer a transição energética que estamos construindo — um país com quase 90% da energia elétrica renovável, que tem petróleo e, ao mesmo tempo, defende o fim da dependência de combustíveis fósseis.”

Cooperação e novos mercados

Na Malásia, Lula teve reunião bilateral com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim, no início da visita oficial. Foram firmados sete instrumentos de cooperação, entre eles memorandos de entendimento nas áreas de semicondutores, ciência e tecnologia, inovação tecnológica, pesquisa espacial e agricultura sustentável, além de acordos entre instituições diplomáticas e centros de pesquisa.

Durante a visita, foram abertos seis novos mercados a produtos brasileiros, fortalecendo a pauta de exportações e ampliando oportunidades comerciais.

Na Reunião Empresarial Brasil–Malásia, os dois países assinaram entendimentos sobre biotecnologia, cultivo de algas, inovação genética e desenvolvimento sustentável, reforçando a cooperação em setores estratégicos da economia verde.

Parcerias com Vietnã e Singapura

No domingo, Lula se encontrou com o primeiro-ministro do Vietnã, Pham Minh Chinh, com quem esteve em visita oficial no primeiro semestre. O presidente agradeceu os avanços na abertura do mercado vietnamita a produtos brasileiros e reafirmou a meta de ampliar o fluxo bilateral para US$ 15 bilhões até 2030.

Ambos concordaram sobre a importância de diversificar parcerias diante dos desafios do comércio global. O primeiro-ministro Pham reiterou o interesse em aprofundar as relações com o Mercosul, e Lula expressou disposição em negociar um Acordo-Quadro de Cooperação Econômica com o Vietnã até o fim da presidência brasileira no bloco.

Também no domingo, o presidente se reuniu com o primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, para tratar de cooperação em inovação, economia verde e mineração. Os dois líderes discutiram oportunidades geradas pela transição energética e pela descarbonização do setor de transportes, incluindo hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis de aviação, diesel verde, energia eólica offshore e minerais estratégicos.

Ambos reafirmaram o compromisso com o enfrentamento do aquecimento global e a necessidade de uma governança climática mais efetiva.

Diálogo com os Estados Unidos

Lula também teve um encontro com o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, para tratar das tarifas impostas às exportações brasileiras. Segundo o presidente brasileiro, a conversa foi “franca e construtiva”.

Os líderes discutiram caminhos para a suspensão das medidas e reforçaram o compromisso de manter um diálogo econômico constante entre os dois países.

ASEAN e novo protagonismo internacional

Durante a Cúpula Empresarial da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizada em Kuala Lumpur, Lula destacou o potencial de cooperação em sustentabilidade, transformação digital e segurança alimentar. O encontro reuniu líderes políticos e empresariais de 11 países e marcou uma nova fase no fortalecimento das relações entre o Brasil e o bloco asiático — hoje o quinto maior parceiro comercial do país.

A corrente comercial entre o Brasil e a ASEAN passou de US$ 3 bilhões em 2002 para US$ 37 bilhões em 2024, um aumento de 12 vezes em pouco mais de duas décadas.

Para Lula, o convite à participação do Brasil na 47ª Cúpula da ASEAN representa o reconhecimento da retomada do protagonismo internacional do país e de uma política externa ativa e altiva, baseada no diálogo, no multilateralismo e na defesa do livre-comércio.

Reconhecimento e agenda acadêmica

Em Kuala Lumpur, Lula recebeu o título de Doutor Honoris Causa em Filosofia e Desenvolvimento Internacional e Sul Global, concedido pela Universidade Nacional da Malásia (UKM). A homenagem reconheceu sua trajetória política e a atuação em prol da inclusão social, da redução das desigualdades e da cooperação entre países do Sul Global.

Primeira escala: Indonésia

A viagem começou pela Indonésia, onde foram firmados oito acordos e parcerias nas áreas de agricultura e pecuária, ciência e tecnologia, energia e recursos minerais.

Além da visita de Estado, Lula participou de um fórum empresarial que reuniu mais de 100 empresários brasileiros e indonésios, consolidando o compromisso do governo em fortalecer o comércio exterior e atrair investimentos sustentáveis.

Com a viagem, o governo brasileiro busca diversificar parcerias internacionais, ampliar o comércio exterior e reposicionar o Brasil como ator global relevante. Para o presidente, essa retomada depende do contato humano e da diplomacia direta:

“Temos que fazer nossa economia crescer, aumentar o comércio exterior e a atração de investimentos. Isso não se faz por WhatsApp, nem por e-mail — se faz pegando na mão das pessoas, olhando nos olhos e convencendo”, afirmou Lula.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *